Gravidez Ectópica: Manejo com Metotrexate e Monitoramento

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gestante, 28 anos, Gesta II para 0, apresenta atraso menstrual de 12 dias, refere corrimento vaginal em ""borra de café"" e leves dores na fossa ilíaca esquerda. No exame clínico o abdome era doloroso à palpação do baixo ventre, colo embebido e fechado, e o útero de difícil delimitação. O exame ultrassonográfico revelou útero vazio, ausência de líquido livre na pelve e presença de tumoração anexial esquerda, de ecogenicidade heterogênea, medindo 3,0 cm de diâmetro. Os títulos de b-hCG eram compatíveis com a normalidade para a idade gestacional. A análise deste caso sugere que a melhor conduta seria:

Alternativas

  1. A) Metotrexate IM seguido de laparotomia exploradora e preservação da trompa.
  2. B) Laparotomia exploradora e salpingectomia, seguida de Metotrexate IM.
  3. C) Metotrexate IM e monitoração do B-hCG.
  4. D) Laparotomia exploradora e salpingectomia.

Pérola Clínica

Gravidez ectópica não rota, estável hemodinamicamente, β-hCG < 5000 UI/L, massa anexial < 3.5 cm → Metotrexate IM.

Resumo-Chave

O caso descreve uma gravidez ectópica não rota, com paciente hemodinamicamente estável, massa anexial de 3,0 cm e β-hCG compatível. Nessas condições, o tratamento conservador com Metotrexate intramuscular e monitoramento do β-hCG é a conduta de escolha, evitando cirurgia.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma condição grave em que a implantação do ovo ocorre fora da cavidade uterina, sendo a trompa de Falópio o local mais comum. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações como a ruptura tubária e hemorragia interna, que podem ser fatais. A apresentação clínica clássica inclui atraso menstrual, dor abdominal unilateral e sangramento vaginal irregular, como observado no caso. O diagnóstico é confirmado pela combinação de β-hCG positivo e ultrassonografia que revela útero vazio e massa anexial. A conduta terapêutica depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, do tamanho da massa anexial, dos níveis de β-hCG e da presença de atividade cardíaca fetal. Para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de ruptura, com massa anexial menor que 3,5-4 cm e β-hCG abaixo de 5.000 UI/L, o tratamento clínico com Metotrexate intramuscular é a opção preferencial. O Metotrexate atua inibindo a proliferação celular do trofoblasto, levando à regressão da gravidez ectópica. O acompanhamento rigoroso com dosagens seriadas de β-hCG é essencial para confirmar o sucesso do tratamento e identificar falhas que possam exigir intervenção cirúrgica. Residentes devem estar aptos a identificar os critérios para o tratamento clínico e a monitorar adequadamente essas pacientes, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias e preservando a fertilidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o tratamento clínico da gravidez ectópica com Metotrexate?

Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica, ausência de sinais de ruptura, massa anexial < 3,5-4 cm, β-hCG < 5.000 UI/L, ausência de atividade cardíaca fetal e desejo de gestações futuras.

Como é feito o acompanhamento após a administração de Metotrexate para gravidez ectópica?

O acompanhamento envolve a monitorização seriada do β-hCG, que deve cair > 15% entre o 4º e o 7º dia após a dose. Se não houver queda adequada, uma segunda dose ou tratamento cirúrgico pode ser necessário.

Quais são os principais sintomas de uma gravidez ectópica?

Os sintomas clássicos incluem atraso menstrual, dor abdominal unilateral (geralmente em fossa ilíaca) e sangramento vaginal irregular (muitas vezes em "borra de café"). Em casos de ruptura, pode haver dor intensa e sinais de choque.

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