UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020
Gestante, 28 anos, Gesta II para 0, apresenta atraso menstrual de 12 dias, refere corrimento vaginal em ""borra de café"" e leves dores na fossa ilíaca esquerda. No exame clínico o abdome era doloroso à palpação do baixo ventre, colo embebido e fechado, e o útero de difícil delimitação. O exame ultrassonográfico revelou útero vazio, ausência de líquido livre na pelve e presença de tumoração anexial esquerda, de ecogenicidade heterogênea, medindo 3,0 cm de diâmetro. Os títulos de b-hCG eram compatíveis com a normalidade para a idade gestacional. A análise deste caso sugere que a melhor conduta seria:
Gravidez ectópica não rota, estável hemodinamicamente, β-hCG < 5000 UI/L, massa anexial < 3.5 cm → Metotrexate IM.
O caso descreve uma gravidez ectópica não rota, com paciente hemodinamicamente estável, massa anexial de 3,0 cm e β-hCG compatível. Nessas condições, o tratamento conservador com Metotrexate intramuscular e monitoramento do β-hCG é a conduta de escolha, evitando cirurgia.
A gravidez ectópica é uma condição grave em que a implantação do ovo ocorre fora da cavidade uterina, sendo a trompa de Falópio o local mais comum. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações como a ruptura tubária e hemorragia interna, que podem ser fatais. A apresentação clínica clássica inclui atraso menstrual, dor abdominal unilateral e sangramento vaginal irregular, como observado no caso. O diagnóstico é confirmado pela combinação de β-hCG positivo e ultrassonografia que revela útero vazio e massa anexial. A conduta terapêutica depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, do tamanho da massa anexial, dos níveis de β-hCG e da presença de atividade cardíaca fetal. Para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de ruptura, com massa anexial menor que 3,5-4 cm e β-hCG abaixo de 5.000 UI/L, o tratamento clínico com Metotrexate intramuscular é a opção preferencial. O Metotrexate atua inibindo a proliferação celular do trofoblasto, levando à regressão da gravidez ectópica. O acompanhamento rigoroso com dosagens seriadas de β-hCG é essencial para confirmar o sucesso do tratamento e identificar falhas que possam exigir intervenção cirúrgica. Residentes devem estar aptos a identificar os critérios para o tratamento clínico e a monitorar adequadamente essas pacientes, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias e preservando a fertilidade.
Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica, ausência de sinais de ruptura, massa anexial < 3,5-4 cm, β-hCG < 5.000 UI/L, ausência de atividade cardíaca fetal e desejo de gestações futuras.
O acompanhamento envolve a monitorização seriada do β-hCG, que deve cair > 15% entre o 4º e o 7º dia após a dose. Se não houver queda adequada, uma segunda dose ou tratamento cirúrgico pode ser necessário.
Os sintomas clássicos incluem atraso menstrual, dor abdominal unilateral (geralmente em fossa ilíaca) e sangramento vaginal irregular (muitas vezes em "borra de café"). Em casos de ruptura, pode haver dor intensa e sinais de choque.
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