Gravidez Ectópica: Opções de Tratamento e Critérios

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2020

Enunciado

A gravidez ectópica ainda é uma grande urgência ginecológica, responsável por muitas mortes no passado, que atualmente possui condução de acordo com a precocidade diagnóstica, os achados clínicos e a opção da paciente. No que se refere às opções de tratamento, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Paciente com beta hCG de 40.000 mUI/mL e muito líquido na cavidade possui uma alta taxa de eficácia do tratamento medicamentoso, mesmo assintomática
  2. B) O uso de metrotexate é possível quando o saco gestacional for maior que 5,0cm
  3. C) Pacientes em tratamento cirúrgico possuem esse método conservador da trompa eficaz por laparoscopia; não há possibilidade de salpingostomia em laparotomia
  4. D) Paciente com quadro de gravidez ectópica íntegra pode ser tratada de forma eficiente por salpingectomia quando não há intuito de fertilidade futura

Pérola Clínica

Gravidez ectópica: Metotrexato para casos selecionados; Salpingectomia para ectópica íntegra sem desejo de fertilidade.

Resumo-Chave

O tratamento da gravidez ectópica depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, níveis de beta-hCG, tamanho da massa anexial e desejo de fertilidade futura. O metotrexato é uma opção para casos selecionados, enquanto a salpingectomia é um tratamento cirúrgico definitivo, especialmente quando a fertilidade futura não é uma preocupação primária.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica continua sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna no primeiro trimestre, exigindo diagnóstico precoce e manejo adequado. Caracteriza-se pela implantação do blastocisto fora da cavidade uterina, sendo a localização tubária a mais comum. A conduta terapêutica evoluiu significativamente, oferecendo opções que variam do manejo expectante ao tratamento medicamentoso e cirúrgico, adaptadas à condição clínica da paciente. O tratamento medicamentoso com metotrexato é uma opção para pacientes hemodinamicamente estáveis, com níveis de beta-hCG abaixo de 5.000 mUI/mL, massa anexial menor que 3,5-4 cm e ausência de atividade cardíaca fetal. O metotrexato atua inibindo a proliferação celular trofoblástica. É crucial monitorar o beta-hCG após a administração para confirmar a resolução da gravidez ectópica. O tratamento cirúrgico, geralmente por laparoscopia, é indicado para pacientes instáveis, com contraindicações ao metotrexato, ou em casos de falha do tratamento medicamentoso. As opções cirúrgicas incluem a salpingostomia (conservadora, para preservar a trompa) e a salpingectomia (remoção da trompa). A salpingectomia é preferível em casos de trompa muito danificada, sangramento ativo, ou quando a paciente não deseja mais gestar ou possui a outra trompa saudável, oferecendo um tratamento definitivo e com menor risco de gravidez ectópica persistente. A escolha da abordagem deve ser individualizada, considerando o desejo de fertilidade futura da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o tratamento medicamentoso da gravidez ectópica com metotrexato?

Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica, beta-hCG < 5.000 mUI/mL, massa anexial < 3,5-4 cm, ausência de atividade cardíaca fetal e ausência de hemoperitônio significativo.

Quando a salpingectomia é a melhor opção para gravidez ectópica?

A salpingectomia (remoção da trompa) é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica, massa ectópica grande, falha do tratamento medicamentoso, ou quando a paciente não deseja preservar a fertilidade ou possui a outra trompa saudável.

Qual a diferença entre salpingostomia e salpingectomia no tratamento da gravidez ectópica?

A salpingostomia é um procedimento conservador que remove apenas o tecido trofoblástico da trompa, preservando-a. A salpingectomia é a remoção completa da trompa de Falópio afetada. A escolha depende da situação clínica e do desejo de fertilidade.

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