Gravidez Ectópica: Diagnóstico, Sinais e Conduta

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 28 anos, casada, com atraso menstrual de 6 semanas, chega ao consultório de ginecologia desejando iniciar o pré-natal. Há dois anos foi submetida a salpingectomia esquerda devido prenhez ectópica. Ainda deseja ter filhos. Ao exame físico: normocorada, pulso cheio e forte= 70 pulsações por minuto, pressão arterial= 90/ 60 mmHg, frequência respiratória= 219 inspirações por minuto; abdome normotenso, indolor à palpação e à descompressão brusca; útero indolor, discretamente amolecido e com volume normal, colo uterino fechado. Ultrassonografia mostra massa complexa em anexo direito com cerca de 3 cm de diâmetro, endométrio regular com 8 mm de espessura e cavidade uterina vazia. Beta-HCG= 3500 mUI/mL. Dentre as opções abaixo o diagnóstico mais provável e a respectiva conduta mais adequada são:

Alternativas

  1. A) prenhez ectópica íntegra, administrar metotrexate.
  2. B) prenhez ectópica íntegra, realizar salpingectomia.
  3. C) gestação tópica inicial, solicitar exames pré-natais.
  4. D) abortamento completo, conduta expectante.
  5. E) prenhez ectópica rota, conduta expectante.

Pérola Clínica

Gravidez ectópica: massa anexial + cavidade vazia + β-HCG > 1500-2000. Rota = instabilidade hemodinâmica/irritação peritoneal.

Resumo-Chave

A paciente apresenta fatores de risco (ectópica prévia, salpingectomia), atraso menstrual, β-HCG elevado e USG com massa anexial e cavidade vazia, configurando uma prenhez ectópica. Embora o enunciado descreva estabilidade clínica, a opção 'prenhez ectópica rota' com 'conduta expectante' é contraditória e perigosa, pois ectópica rota exige intervenção imediata.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. É uma emergência ginecológica que pode ser fatal se não diagnosticada e tratada precocemente, sendo uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre. Fatores de risco incluem história de gravidez ectópica prévia, doença inflamatória pélvica, cirurgia tubária e uso de DIU. O diagnóstico baseia-se na tríade clássica de atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, embora nem sempre presente. A avaliação inclui dosagem seriada de β-HCG e ultrassonografia transvaginal. A ausência de saco gestacional intrauterino com β-HCG acima da zona de discriminação (geralmente 1500-2000 mUI/mL) e a presença de massa anexial complexa são altamente sugestivas. A distinção entre gravidez ectópica íntegra e rota é crucial, sendo a rota caracterizada por instabilidade hemodinâmica e sinais de irritação peritoneal devido ao hemoperitônio. A conduta depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, do tamanho da massa, do nível de β-HCG e do desejo de fertilidade. Para gestações ectópicas íntegras e estáveis, o tratamento pode ser medicamentoso com metotrexato ou cirúrgico conservador (salpingostomia). Em casos de ruptura ou instabilidade hemodinâmica, a cirurgia de emergência (salpingectomia) é a conduta de escolha. A conduta expectante para uma ectópica rota é contraindicada devido ao risco de choque hemorrágico e morte.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para gravidez ectópica?

Os principais fatores incluem história prévia de gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP), cirurgia tubária prévia (incluindo laqueadura), uso de DIU e técnicas de reprodução assistida.

Como o β-HCG e a ultrassonografia auxiliam no diagnóstico da ectópica?

Níveis de β-HCG que não dobram a cada 48h e a ausência de saco gestacional intrauterino com β-HCG > 1500-2000 mUI/mL (zona de discriminação) são sugestivos. A USG transvaginal pode identificar massa anexial complexa ou saco gestacional ectópico.

Quando a conduta expectante ou medicamentosa é apropriada para gravidez ectópica?

A conduta expectante pode ser considerada em casos muito selecionados de ectópica íntegra com β-HCG baixo e decrescente. O tratamento medicamentoso com metotrexato é indicado para ectópicas íntegras, hemodinamicamente estáveis, sem ruptura e com β-HCG < 5000 mUI/mL, entre outros critérios.

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