Gravidez Ectópica: Diagnóstico e Conduta em Emergência

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 20 anos, tabagista, histórico prévio de cervicite e nuligesta, procura pronto atendimento médico por dor em abdome inferior, contínua, de início há 3 dias e com piora progressiva. Também relata sangramento vaginal de moderada quantidade há 1 dia. Menciona atraso menstrual de 2 meses antes deste sangramento e nega uso de qualquer tipo de contraceptivo apesar de referir vida sexual ativa. Sobre o caso, assinale a alternativa abaixo mais correta em relação à conduta a ser tomada pelo médico plantonista:

Alternativas

  1. A) Dar alta com prescrição de analgésico e solicitação de US transvaginal.
  2. B) Dar alta com solicitação de hemograma, VHS e US transvaginal.
  3. C) Internar a paciente, iniciar antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro e agendar laparotomia.
  4. D) Internar a paciente, solicitar B-hCG sérico e US transvaginal e monitorar sinais vitais.
  5. E) Dar alta e tranquilizar a paciente de que a dor é apenas dor do meio do ciclo.

Pérola Clínica

Dor abdominal + atraso menstrual + sangramento vaginal → suspeitar gravidez ectópica, dosar β-hCG e US transvaginal.

Resumo-Chave

A tríade clássica de dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal em mulher em idade fértil com vida sexual ativa é altamente sugestiva de gravidez ectópica, uma emergência ginecológica. A conduta inicial deve incluir a dosagem de β-hCG sérico e ultrassonografia transvaginal para localização da gestação.

Contexto Educacional

A gravidez ectópica é uma condição em que o embrião se implanta fora da cavidade uterina, sendo a localização tubária a mais comum. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre de gestação e uma emergência ginecológica que exige diagnóstico e tratamento rápidos. A paciente do caso apresenta a tríade clássica de dor abdominal, atraso menstrual e sangramento vaginal, além de fatores de risco como histórico de cervicite (que pode indicar DIP prévia) e tabagismo. Diante da suspeita de gravidez ectópica, a conduta inicial no pronto atendimento é crucial. A internação para monitoramento de sinais vitais é fundamental, especialmente pela possibilidade de ruptura e choque hipovolêmico. A dosagem de β-hCG sérico confirma a gestação, e a ultrassonografia transvaginal é o método de imagem de escolha para localizar a gestação e avaliar a presença de líquido livre na cavidade abdominal. O manejo da gravidez ectópica pode ser expectante, medicamentoso (com metotrexato) ou cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, níveis de β-hCG, tamanho da massa e desejo de gestações futuras. A rápida identificação e intervenção são essenciais para preservar a vida da paciente e, quando possível, a fertilidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da gravidez ectópica?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal unilateral ou difusa, atraso menstrual e sangramento vaginal irregular. Pode haver também tontura, síncope ou dor referida no ombro em casos de ruptura.

Qual a importância do β-hCG sérico e da ultrassonografia transvaginal na suspeita de gravidez ectópica?

O β-hCG sérico confirma a gestação, enquanto a ultrassonografia transvaginal é essencial para localizar a gestação, identificando a presença ou ausência de saco gestacional intrauterino e/ou massa anexial sugestiva de ectópica.

Quais são os fatores de risco para gravidez ectópica?

Fatores de risco incluem histórico prévio de gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP), cirurgia tubária prévia, uso de DIU, tabagismo e técnicas de reprodução assistida.

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