Gravidez Anembrionada: Diagnóstico e Manejo Clínico

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 22 anos procura atendimento de urgência por apresentar metrorragia há uma semana associada à dor no baixo-ventre. É solteira, com antecedentes de ciclos irregulares, uso irregular de anticoncepcional hormonal oral há cerca de um ano e GII, PI (normal há quatro anos). AI (espontâneo há dois anos). Ao exame físico, apresenta bom estado geral, afebril, acianótica, PA = 100/60 mmHg, pulso = 80/m, dor à palpação do baixo-ventre e ao toque manual combinado; com sangramento discreto. Foram solicitados os exames: B-hcG = 12.000 e USG = saco gestacional com 30 mm sem embrião. Diante desse quadro, o diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) gravidez incipiente.
  2. B) gravidez ectópica.
  3. C) gravidez anembrionada. 
  4. D) mola hidatiforme completa. 

Pérola Clínica

Saco gestacional > 25 mm sem embrião ou > 18 mm sem vesícula vitelínica = Gravidez Anembrionada.

Resumo-Chave

A gravidez anembrionada é caracterizada pela ausência de embrião dentro do saco gestacional, apesar da presença de um saco gestacional de tamanho adequado para a idade gestacional e níveis de beta-hCG compatíveis com gravidez. O diagnóstico é ultrassonográfico, sendo crucial a medida do saco gestacional.

Contexto Educacional

A gravidez anembrionada, também conhecida como ovo cego ou gestação anembrionária, é uma das causas mais comuns de abortamento espontâneo no primeiro trimestre, representando cerca de 50% dos casos. Caracteriza-se pelo desenvolvimento do saco gestacional e anexos, mas sem a formação do embrião. É fundamental para o residente reconhecer essa condição para um manejo adequado e acolhimento da paciente. A fisiopatologia envolve uma falha no desenvolvimento embrionário muito precoce, geralmente devido a anomalias cromossômicas. O diagnóstico é essencialmente ultrassonográfico, com a visualização de um saco gestacional de tamanho significativo (geralmente > 25 mm via transvaginal) sem a presença de um polo fetal ou vesícula vitelínica. Os níveis de beta-hCG podem estar elevados, mas não são suficientes para diferenciar uma gestação anembrionada de uma viável em fases muito precoces, sendo a ultrassonografia o método diagnóstico definitivo. O tratamento pode ser expectante, medicamentoso (com misoprostol) ou cirúrgico (curetagem ou aspiração manual intrauterina). A escolha deve ser individualizada, considerando o desejo da paciente, seu estado clínico e a presença de complicações como sangramento excessivo ou infecção. É crucial oferecer suporte psicológico, pois a perda gestacional pode ser emocionalmente desafiadora.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios ultrassonográficos para diagnosticar gravidez anembrionada?

O diagnóstico de gravidez anembrionada é feito quando o saco gestacional mede ≥ 25 mm (via transvaginal) e não há embrião, ou quando não há vesícula vitelínica com saco gestacional ≥ 18 mm. A ausência de embrião com batimentos cardíacos após 11 dias de um ultrassom que mostrou saco gestacional com vesícula vitelínica também é um critério.

Qual a relação do beta-hCG com a gravidez anembrionada?

Na gravidez anembrionada, o beta-hCG pode estar elevado e compatível com a idade gestacional estimada, pois o trofoblasto continua a produzir o hormônio. No entanto, os níveis podem não dobrar adequadamente a cada 48-72 horas como em uma gestação viável, e eventualmente podem começar a declinar.

Quais são as opções de manejo para uma gravidez anembrionada?

As opções de manejo incluem conduta expectante, manejo medicamentoso (com misoprostol) ou manejo cirúrgico (aspiração manual intrauterina ou curetagem). A escolha depende da preferência da paciente, estabilidade clínica e disponibilidade de recursos.

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