Granulomatose com Poliangeíte: Diagnóstico e Manejo Urgente

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2022

Enunciado

JSM, sexo masculino, 52 anos, dá entrada no PS relatando fadiga, cansaço, perda de peso de 10kg nos últimos 6 meses, fraqueza nos membros inferiores e sintomas respiratórios recorrentes. Foram solicitados exames laboratoriais que apresentavam: tgo 34 tgp 44, HTC 44, HB 12, Leuco 1000, bastão 1% plaquetas: 230.000, anti dna negativo, anti mp negativo, sorologias virais hepatite B, C e HIV 1 2 negativo, eletroforese de proteína normal, c anca ++, Cr 5,4 k 7,1 Na 145 Ur 240 PH 7,1 BIC 10, EAS com presença de proteína +++, leve hematúria. Tc de tórax com lesão em vidro fosco e nódulos em pulmão. Encaminhado à UTI, por apresentar rebaixamento do nível de consciência e diurese < 0,5ml/kg/h em 6h de observação. Diante do caso, qual o provável diagnóstico e possível tratamento a ser realizado?

Alternativas

  1. A) Síndrome de goodpasture, hemodiálise urgência e plasmaférese.
  2. B) Nefropatia por LES, imunossupressão com corticoide.
  3. C) Nefropatia por amiloidose, prednisona, suporte clínico e hemodiálise urgência.
  4. D) Granulomatose de Wegner, imunossupressão corticoide + ciclofosfamida e hemodiálise urgência.

Pérola Clínica

C-ANCA +, IRA, lesões pulmonares (vidro fosco/nódulos) e sintomas sistêmicos → Granulomatose de Wegener. Tratamento: Corticoide + Ciclofosfamida + Hemodiálise se IRA grave.

Resumo-Chave

O quadro clínico de insuficiência renal aguda grave (Cr 5,4, K 7,1, pH 7,1, BIC 10), lesões pulmonares (vidro fosco, nódulos) e sintomas sistêmicos, associado ao C-ANCA positivo, é altamente sugestivo de Granulomatose com Poliangeíte (antiga Granulomatose de Wegener). O tratamento requer imunossupressão agressiva e suporte renal.

Contexto Educacional

A Granulomatose com Poliangeíte (GPA), anteriormente conhecida como Granulomatose de Wegener, é uma vasculite sistêmica necrotizante que afeta predominantemente pequenos e médios vasos. Caracteriza-se pela formação de granulomas e inflamação, com predileção pelo trato respiratório superior e inferior, e pelos rins, embora possa acometer virtualmente qualquer órgão. Sua epidemiologia mostra uma incidência maior em adultos de meia-idade. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune mediada por anticorpos anti-citoplasma de neutrófilos (ANCA), especificamente o C-ANCA (anti-proteinase 3). O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica de envolvimento de vias aéreas superiores, pulmões e rins, juntamente com sintomas sistêmicos como fadiga, perda de peso e febre. Exames laboratoriais frequentemente revelam elevação de marcadores inflamatórios, anemia, e a presença de C-ANCA. A biópsia de órgão acometido (pulmão ou rim) é o padrão-ouro para confirmação, mostrando vasculite necrotizante e granulomas. O tratamento da GPA é uma emergência médica, especialmente em casos com acometimento renal ou pulmonar grave. A terapia de indução da remissão geralmente consiste em corticosteroides em altas doses (frequentemente pulsoterapia com metilprednisolona) combinados com ciclofosfamida ou rituximabe. Em casos de insuficiência renal aguda grave, a hemodiálise de urgência pode ser necessária. A plasmaférese pode ser considerada em situações de hemorragia alveolar grave ou glomerulonefrite rapidamente progressiva. O prognóstico melhorou drasticamente com o advento da terapia imunossupressora, mas a doença ainda pode ser fatal se não tratada prontamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da Granulomatose com Poliangeíte?

Os achados incluem sintomas sistêmicos (fadiga, perda de peso), envolvimento pulmonar (nódulos, infiltrados, hemorragia alveolar), e envolvimento renal (glomerulonefrite rapidamente progressiva).

Qual a importância do C-ANCA no diagnóstico de vasculites?

O C-ANCA (anticorpo anti-proteinase 3) é um marcador sorológico altamente específico para a Granulomatose com Poliangeíte, auxiliando no diagnóstico diferencial das vasculites ANCA-associadas.

Qual o tratamento inicial para a Granulomatose com Poliangeíte com acometimento grave?

O tratamento inicial para casos graves envolve imunossupressão potente com corticosteroides (geralmente pulsoterapia) e ciclofosfamida, além de suporte para as falências orgânicas, como hemodiálise para insuficiência renal aguda.

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