Granulomatose com Poliangeíte: Diagnóstico e Sinais Clínicos

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 47 anos, procura atendimento médico especializado, após inúmeras tentativas de tratamento de uma sinusite crônica, sem sucesso. Ao evoluir com destruição de septo nasal e tosse com hemoptoicos, sem histórico de tabagismo, o médico assistente pensou em uma síndrome vasculite e incluiu, em sua propedêutica, anticorpos anticitoplasma de neutrófilos, com resultado positivo. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico MAIS provável.

Alternativas

  1. A) Poliangeíte microscópica.
  2. B) Síndrome de Churg-Strauss.
  3. C) Granulomatose com poliangeíte.
  4. D) Púrpura de Henoch-Schoenlein.

Pérola Clínica

Sinusite crônica destrutiva + hemoptoicos + c-ANCA positivo → Granulomatose com Poliangeíte (GPA).

Resumo-Chave

A Granulomatose com Poliangeíte (GPA) é uma vasculite sistêmica que classicamente afeta o trato respiratório superior e inferior, além dos rins. A presença de sinusite crônica destrutiva, hemoptoicos e c-ANCA positivo (anti-PR3) é altamente sugestiva do diagnóstico.

Contexto Educacional

A Granulomatose com Poliangeíte (GPA), anteriormente conhecida como Granulomatose de Wegener, é uma vasculite sistêmica necrotizante que afeta vasos de pequeno e médio calibre, caracterizada pela formação de granulomas e frequentemente associada à presença de anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCA), em particular o c-ANCA com especificidade para proteinase 3 (PR3-ANCA). É uma doença rara, mas grave, que pode levar a danos orgânicos irreversíveis se não tratada precocemente. Clinicamente, a GPA manifesta-se com envolvimento multissistêmico. O trato respiratório superior é frequentemente o primeiro a ser afetado, com sinusite crônica refratária, otite média, epistaxe e, em casos avançados, destruição do septo nasal ("nariz em sela"). O envolvimento pulmonar pode causar tosse, hemoptoicos, nódulos e infiltrados. O acometimento renal, geralmente uma glomerulonefrite rapidamente progressiva, é uma complicação grave e comum. O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos, histopatológicos (biópsia mostrando vasculite e granulomas) e sorológicos (ANCA positivo). O tratamento envolve imunossupressão agressiva, com corticosteroides e ciclofosfamida ou rituximabe na fase de indução, seguidos por terapia de manutenção para prevenir recaídas. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para melhorar o prognóstico e preservar a função orgânica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais órgãos afetados pela Granulomatose com Poliangeíte (GPA)?

A GPA classicamente afeta o trato respiratório superior (sinusite, otite, estenose subglótica), trato respiratório inferior (nódulos pulmonares, hemorragia alveolar) e rins (glomerulonefrite). Outros órgãos como pele, olhos e sistema nervoso também podem ser envolvidos.

Qual a importância dos anticorpos ANCA no diagnóstico da GPA?

Os anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCA), especificamente o c-ANCA com especificidade para proteinase 3 (PR3-ANCA), são marcadores sorológicos importantes para a GPA. Sua presença, juntamente com a clínica, auxilia no diagnóstico e monitoramento da atividade da doença.

Como a GPA se diferencia da Poliangeíte Microscópica?

Ambas são vasculites ANCA-associadas, mas a GPA é caracterizada pela presença de granulomas (especialmente no trato respiratório) e frequentemente associada a PR3-ANCA, enquanto a poliangeíte microscópica não forma granulomas e é mais comumente associada a p-ANCA (anti-MPO).

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