UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2020
Um homem de 55 anos de idade se apresenta com um primeiro episódio de ascite. Realizada paracentese diagnóstica, fluído ascítico tem nível de proteína 2,8 g/dL e o nível de albumina de 2,1 g/dL. Uma amostra sanguínea simultânea mostra uma albumina de 3,4 g/dL. Qual a causa mais provável da ascite neste caso?
SAAG ≥ 1,1 g/dL + Proteína ascítica > 2,5 g/dL → Ascite por Doença Cardíaca.
O cálculo do Gradiente de Albumina Soro-Ascite (SAAG) é crucial para o diagnóstico diferencial da ascite. Um SAAG ≥ 1,1 g/dL indica hipertensão portal. Quando combinado com um nível de proteína no líquido ascítico > 2,5 g/dL, a causa mais provável é a ascite cardíaca (insuficiência cardíaca direita, pericardite constritiva) ou síndrome de Budd-Chiari.
A ascite é o acúmulo de líquido na cavidade peritoneal, sendo um sinal comum de diversas condições médicas. A paracentese diagnóstica é fundamental para determinar a etiologia da ascite, e a análise do líquido ascítico, em conjunto com exames séricos, permite o diagnóstico diferencial. O Gradiente de Albumina Soro-Ascite (SAAG) é a ferramenta mais precisa para diferenciar ascite por hipertensão portal de outras causas. O SAAG é calculado pela diferença entre a albumina sérica e a albumina do líquido ascítico. Um valor de SAAG ≥ 1,1 g/dL indica hipertensão portal, que pode ser causada por cirrose, insuficiência cardíaca, síndrome de Budd-Chiari, entre outras. Já um SAAG < 1,1 g/dL sugere causas não relacionadas à hipertensão portal, como carcinomatose peritoneal, tuberculose peritoneal ou síndrome nefrótica. Além do SAAG, o nível de proteína total no líquido ascítico é um marcador importante. Enquanto a cirrose tipicamente apresenta SAAG alto e proteína baixa (< 2,5 g/dL), a ascite de origem cardíaca (como na insuficiência cardíaca congestiva ou pericardite constritiva) se manifesta com SAAG alto e proteína alta (> 2,5 g/dL). Isso ocorre devido à congestão hepática e ao aumento da pressão hidrostática, que leva à transudação de um líquido mais rico em proteínas. A correta interpretação desses parâmetros é crucial para guiar o tratamento e o manejo do paciente.
O SAAG é calculado subtraindo a concentração de albumina do líquido ascítico da concentração de albumina sérica (SAAG = Albumina sérica - Albumina ascítica). Um SAAG ≥ 1,1 g/dL indica a presença de hipertensão portal, enquanto um SAAG < 1,1 g/dL sugere causas não relacionadas à hipertensão portal.
O nível de proteína no líquido ascítico ajuda a refinar o diagnóstico. Ascite com SAAG ≥ 1,1 g/dL e proteína < 2,5 g/dL é típica de cirrose. Ascite com SAAG ≥ 1,1 g/dL e proteína > 2,5 g/dL sugere ascite cardíaca ou síndrome de Budd-Chiari. Ascite com SAAG < 1,1 g/dL e proteína > 2,5 g/dL pode indicar carcinomatose peritoneal ou pancreatite.
Na insuficiência cardíaca direita ou pericardite constritiva, o aumento da pressão venosa central e hepática leva à hipertensão portal (elevando o SAAG). A congestão hepática e a transudação de proteínas através de capilares hepáticos e peritoneais mais permeáveis, devido à pressão hidrostática elevada, resultam em um líquido ascítico com alto teor proteico.
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