HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020
Um paciente de 45 anos de idade, com diagnóstico prévio de cirrose hepática, apresenta, há três dias, febre alta, dor abdominal e confusão mental. Ao exame físico, observa-se abdome globoso, ascítico e com dor à descompressão brusca. Com base nesse caso hipotético e nos conceitos médicos a ele relacionados, julgue o item a seguir. A presença de gradiente de proteína do líquido ascítico/plasmática (GASA) < 1,1 g/dL define ascite por hipertensão portal.
GASA ≥ 1,1 g/dL = Hipertensão Portal; GASA < 1,1 g/dL = Outras causas (ex: Câncer, BK).
O GASA reflete a pressão hidrostática sinusoidal; valores elevados indicam que a ascite é transudativa decorrente de hipertensão portal.
A avaliação de um paciente com ascite e cirrose deve sempre incluir uma paracentese diagnóstica inicial para análise bioquímica e citológica. Além da contagem de polimorfonucleares para descartar Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE), o GASA é a ferramenta mais confiável para classificar a ascite. Diferente da antiga classificação de transudato/exsudato baseada apenas em proteínas totais, o GASA é mais preciso fisiopatologicamente. No caso clínico apresentado, o paciente apresenta a tríade clássica de PBE (febre, dor abdominal e confusão mental), mas a questão foca especificamente na interpretação do gradiente de albumina, que deve ser obrigatoriamente ≥ 1,1 g/dL para confirmar a etiologia por hipertensão portal.
O GASA é calculado subtraindo a concentração de albumina no líquido ascítico da concentração de albumina no soro (Albumina Soro - Albumina Ascite), coletadas preferencialmente no mesmo dia. Ele correlaciona-se diretamente com a pressão portal. Um gradiente elevado indica que a pressão hidrostática nos capilares sinusoides está aumentada, forçando a saída de líquido pobre em proteínas para o espaço peritoneal, mantendo a albumina no compartimento vascular.
Um GASA maior ou igual a 1,1 g/dL tem uma acurácia de cerca de 97% para diagnosticar ascite decorrente de hipertensão portal. As causas mais comuns incluem cirrose hepática, insuficiência cardíaca congestiva, pericardite constritiva e síndrome de Budd-Chiari. Nesses casos, a ascite é formada por um desequilíbrio nas forças de Starling, onde a pressão hidrostática supera a pressão oncótica.
Quando o gradiente é baixo (< 1,1 g/dL), a causa da ascite geralmente não é a hipertensão portal. As principais etiologias são carcinomatose peritoneal, tuberculose peritoneal, síndrome nefrótica, pancreatite e serosites. Nessas condições, a ascite costuma ser exsudativa ou decorrente de processos inflamatórios/infecciosos que aumentam a permeabilidade capilar ou reduzem a pressão oncótica plasmática de forma sistêmica.
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