SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026
Um paciente de 58 anos, com histórico de cirrose hepática por hepatite C, apresenta aumento progressivo do volume abdominal, associado a edema em membros inferiores. Ao exame físico, há sinais de ascite volumosa. Foram solicitados exames laboratoriais e uma paracentese com análise do líquido ascítico. Os resultados foram os seguintes: • Exames laboratoriais: o Hb = 11,2 g/dL; o Leucócitos = 9.500/mm³; o Plaquetas = 90.000/mm³; o ALT = 45 U/L; o AST = 78 U/L; o Bilirrubina total = 3,2 mg/dL; o Albumina = 2,5 g/dL; o Creatinina = 1,5 mg/dL. • Estudo do líquido ascítico: o Proteínas totais = 1,0 g/dL; o Albumina = 0,7 g/dL; o Leucócitos no líquido ascítico = 350/mm³ (60% neutrófilos). Com base nesses achados clínicos e laboratoriais, e considerando as possíveis complicações da cirrose, assinale a afirmativa correta:
GASA ≥ 1,1 g/dL = Hipertensão Portal; PBE = PMN ≥ 250/mm³ no líquido ascítico.
O GASA reflete a pressão hidrostática sinusoidal; valores elevados confirmam hipertensão portal. A PBE é diagnosticada pela contagem absoluta de neutrófilos.
A ascite é a complicação mais comum da cirrose e marca a transição para a fase descompensada da doença. A fisiopatologia envolve a hipertensão portal, que leva à vasodilatação esplâncnica, redução do volume arterial efetivo e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, resultando em retenção de sódio e água. A paracentese diagnóstica é obrigatória em todo paciente internado com ascite ou que apresente sinais de descompensação. O manejo inclui restrição de sódio e uso de diuréticos, além do tratamento da causa base da cirrose.
O GASA é calculado subtraindo a concentração de albumina do líquido ascítico da concentração de albumina sérica (Albumina Soro - Albumina Ascite). Um valor ≥ 1,1 g/dL indica que a ascite é causada por hipertensão portal (ex: cirrose, insuficiência cardíaca, síndrome de Budd-Chiari) com 97% de acurácia. Valores < 1,1 g/dL sugerem causas não relacionadas à hipertensão portal, como carcinomatose peritoneal, tuberculose peritoneal ou síndrome nefrótica.
O diagnóstico de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é estabelecido quando a contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico é igual ou superior a 250 células/mm³. A cultura do líquido ascítico deve ser solicitada, mas o tratamento com antibióticos deve ser iniciado imediatamente se o critério de PMN for atingido. No caso clínico, o paciente tinha 350 leucócitos com 60% neutrófilos, resultando em 210 PMN/mm³, o que não fecha critério para PBE.
A concentração de proteínas totais no líquido ascítico ajuda a estratificar o risco de PBE. Pacientes cirróticos com proteínas totais baixas (< 1,0 g/dL) possuem menor atividade opsonizante no líquido, o que aumenta significativamente o risco de translocação bacteriana e desenvolvimento de PBE. Nesses casos, a profilaxia primária ou secundária com antibióticos pode estar indicada se houver outros critérios de gravidade clínica.
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