Ascite: Diagnóstico Diferencial e o Papel do GASA

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Sobre a ascite, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A terminologia, Barriga D'água, é atribuída às consequências da doença hepática da esquistossomose, em que a maioria dos casos cursa com ascite.
  2. B) A descompensação da insuficiência cardíaca direita cursa com congestão pulmonar e ascite.
  3. C) A Síndrome de Arnold Chiari cursa com ascite, cujo gradiente de albumina (GASA) é maior que 1,1.
  4. D) Um paciente com uma dosagem de albumina na ascite de 3,0mg/dl e uma albumina sérica de 3,9mg/dl tem a possibilidade diagnóstica de uma tuberculose peritoneal.
  5. E) O surgimento da Peritonite Bacteriana Espontânea não tem correlação com o sangramento de varizes de esôfago.

Pérola Clínica

GASA > 1,1 → Hipertensão portal (cirrose, IC). GASA < 1,1 → Não hipertensão portal (tuberculose, carcinomatose).

Resumo-Chave

O Gradiente de Albumina Soro-Ascite (GASA) é uma ferramenta diagnóstica crucial para diferenciar as causas da ascite. Um GASA menor que 1,1 g/dL sugere causas não relacionadas à hipertensão portal, como tuberculose peritoneal ou carcinomatose, enquanto um GASA maior que 1,1 g/dL indica hipertensão portal.

Contexto Educacional

A ascite, acúmulo patológico de líquido na cavidade peritoneal, é uma condição comum e um desafio diagnóstico na prática clínica. Sua etiologia é variada, sendo a cirrose hepática a causa mais frequente, mas outras condições como insuficiência cardíaca, neoplasias, tuberculose e pancreatite também podem causá-la. A correta identificação da causa da ascite é fundamental para o manejo adequado e para o prognóstico do paciente. O Gradiente de Albumina Soro-Ascite (GASA) é a ferramenta mais importante no diagnóstico diferencial da ascite. Ele reflete a diferença de pressão oncótica entre o soro e o líquido ascítico. Um GASA elevado (> 1,1 g/dL) indica que a ascite é causada por hipertensão portal, seja por doença hepática (cirrose, Síndrome de Budd-Chiari) ou por insuficiência cardíaca. Já um GASA baixo (< 1,1 g/dL) sugere que a ascite não é de origem portal, apontando para causas como tuberculose peritoneal, carcinomatose, pancreatite ou síndrome nefrótica. A análise do líquido ascítico, incluindo contagem celular, cultura e dosagem de proteínas, complementa o GASA. O manejo da ascite depende da sua etiologia. Em casos de cirrose, o tratamento envolve diuréticos, restrição de sódio e, em alguns casos, paracentese de alívio ou TIPS. Complicações como a Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) são frequentes em pacientes cirróticos com ascite e exigem tratamento antibiótico imediato. A PBE tem correlação com sangramento gastrointestinal, que pode aumentar a translocação bacteriana. Para residentes e estudantes, dominar o cálculo e a interpretação do GASA, bem como o diagnóstico diferencial e manejo das complicações da ascite, é essencial para a prática clínica e para a aprovação em provas.

Perguntas Frequentes

Como o GASA (Gradiente de Albumina Soro-Ascite) é calculado e qual sua importância?

O GASA é calculado subtraindo a concentração de albumina no líquido ascítico da concentração de albumina sérica (GASA = Albumina sérica - Albumina ascítica). Sua importância reside em diferenciar as causas de ascite: um GASA maior que 1,1 g/dL sugere ascite por hipertensão portal (ex: cirrose, insuficiência cardíaca), enquanto um GASA menor que 1,1 g/dL indica causas não relacionadas à hipertensão portal (ex: tuberculose peritoneal, carcinomatose).

Quais são as principais causas de ascite com GASA < 1,1 g/dL?

As principais causas de ascite com GASA menor que 1,1 g/dL são aquelas não relacionadas à hipertensão portal. Isso inclui tuberculose peritoneal, carcinomatose peritoneal, pancreatite, síndrome nefrótica e ascite quilosa. Nesses casos, o mecanismo de formação da ascite geralmente envolve inflamação ou obstrução linfática.

Qual a relação entre Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) e sangramento de varizes de esôfago?

A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação comum em pacientes com cirrose e ascite, especialmente aqueles com sangramento de varizes de esôfago. O sangramento gastrointestinal pode aumentar a translocação bacteriana do intestino para o líquido ascítico, elevando o risco de PBE. Portanto, há uma correlação importante entre os dois eventos.

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