Cálculo do GASA e Diagnóstico Diferencial de Ascites

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015

Enunciado

José, 40 anos, foi admitido no pronto-socorro com queixa de aumento do volume abdominal e coloração amarelada da pele, há três semanas. Relata ter notado importante aumento do volume abdominal nestes últimos 10 dias. Nega episódios febris, relata ser etilista de longa data (aproximadamente 20 anos), com ingesta de um litro de aguardente por dia nesse período. Nega outras comorbidades conhecidas, mas relata que não faz acompanhamento médico. Ao exame: BEG; ictérico (2+/4); desidratado (1+/4); afebril; presença de telangectasias em tronco; RCR 2T BNF S/S FC 98 BPM PA: 90/60 mmHg; MV + SEM RA; FR 22 IPM; abdome: distendido; ascítico; indolor; RHA+ , Glasgow 15. Exames laboratoriais: Hemograma: Hb11 g/dl - HT35%; Leucograma: 3.300 leucócitos (0/0/2/70); Uréia: 33 mg/dl - creatinina: 1,1 mg/dl - INR: 1,3 - Na: 130 meq/l K: 4,2 meq/l - proteínas totais: 4,3 g/dl (albumina sérica: 3,2 g/dl); Paracentese: contagem total e diferencial (50 leucócitos / 20 PMN); Gram: negativo; cultura: negativa; albumina: 1,5 g/dl. Qual o valor do GASA (Gradiente Albumina Soro Ascite) e a provável etiologia da ascite desse paciente?

Alternativas

  1. A) GASA de 1,7/hipertensão portal.
  2. B) GASA de 1,5/carcinomatose peritoneal.
  3. C) GASA de 1,5/hipertensão portal.
  4. D) GASA de 1,7/carcinoma hepatocelular.

Pérola Clínica

GASA ≥ 1,1 g/dL → Hipertensão Portal; GASA < 1,1 g/dL → Outras causas (Neoplasia, BK, Síndrome Nefrótica).

Resumo-Chave

O GASA reflete a pressão hidrostática sinusoidal; valores elevados confirmam que a ascite é decorrente de hipertensão portal, independente da causa base (cirrose, ICC, Budd-Chiari).

Contexto Educacional

A análise do líquido ascítico é fundamental na propedêutica de pacientes com ascite de início recente ou complicações de doenças crônicas. O GASA substituiu a antiga classificação de transudato e exsudato por ser fisiologicamente mais preciso ao correlacionar-se diretamente com a pressão portal. No caso clínico apresentado, o paciente possui albumina sérica de 3,2 e ascítica de 1,5, resultando em um GASA de 1,7, o que confirma hipertensão portal. Além do GASA, a contagem de polimorfonucleares (PMN) é crucial para descartar Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE), definida por PMN > 250/mm³. No caso, o paciente apresenta apenas 20 PMN, descartando infecção aguda no momento, apesar do quadro de cirrose alcoólica sugerido pelo histórico e estigmas físicos como telangectasias.

Perguntas Frequentes

Como é feito o cálculo do GASA?

O GASA (Gradiente de Albumina Soro-Ascite) é calculado subtraindo-se o valor da albumina encontrada no líquido ascítico do valor da albumina encontrada no soro do paciente (GASA = Albumina sérica - Albumina da ascite). As amostras devem ser coletadas preferencialmente no mesmo dia. Um gradiente maior ou igual a 1,1 g/dL indica a presença de hipertensão portal com 97% de acurácia.

Quais as principais causas de GASA elevado?

Um GASA ≥ 1,1 g/dL indica que a ascite é causada por hipertensão portal. As etiologias mais comuns incluem cirrose hepática, insuficiência cardíaca congestiva, pericardite constritiva, síndrome de Budd-Chiari e esteato-hepatite alcoólica. Nesses casos, a pressão hidrostática elevada 'empurra' o líquido para o espaço peritoneal, mas retém a albumina nos vasos.

O que significa um GASA baixo?

Um GASA < 1,1 g/dL sugere que a ascite não é causada por hipertensão portal. As causas principais são carcinomatose peritoneal, tuberculose peritoneal, síndrome nefrótica, pancreatite (ascite pancreática) e doenças do tecido conjuntivo. Nesses cenários, a barreira capilar está alterada ou há perda direta de proteínas, reduzindo o gradiente entre o soro e o líquido.

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