USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Homem, 48 anos, tabagista e etilista, há 20 anos apresenta dor articular. O quadro teve início nos membros inferiores e ocorria como surto-remissão. Após alguns anos, os membros superiores foram acometidos, quando passou a ter sintomas articulares persistentes. Exame físico: BEG, corado. Edema, calor, dor e limitação de movimentos em tornozelos, joelhos, punhos e metacarpofalangeanas. Foto de sua mão esquerda é mostrada abaixo.De qual alteração fisiopatológica resultam as lesões?
Dor articular crônica, surto-remissão, acometimento membros inferiores → superiores, tofos (depósito subcutâneo de cristais) = Gota crônica.
O quadro clínico de artrite crônica com surtos e remissões, acometendo inicialmente membros inferiores e progredindo para poliartrite persistente, em um paciente tabagista e etilista, é altamente sugestivo de gota. A imagem da mão com nódulos subcutâneos (tofos) confirma o depósito de cristais de urato monossódico, que é a alteração fisiopatológica central da doença.
A gota é uma doença inflamatória causada pela deposição de cristais de urato monossódico em articulações e tecidos moles, resultante de hiperuricemia. A forma crônica, ou gota tofácea, desenvolve-se após anos de hiperuricemia não controlada, caracterizada por surtos recorrentes de artrite aguda que eventualmente evoluem para uma poliartrite persistente e a formação de tofos. A epidemiologia mostra maior prevalência em homens, especialmente aqueles com fatores de risco como alcoolismo, obesidade e uso de diuréticos. A fisiopatologia da gota envolve a supersaturação de urato no sangue, levando à precipitação de cristais. Esses cristais ativam o inflassoma NLRP3, desencadeando uma cascata inflamatória com liberação de citocinas e quimiotaxia de neutrófilos, resultando na dor e inflamação características. Com o tempo, a deposição crônica de cristais forma os tofos, que são massas indolores, mas que podem causar deformidades articulares e destruição óssea. O diagnóstico é clínico, laboratorial (hiperuricemia) e, idealmente, pela identificação de cristais de urato no líquido sinovial. O tratamento visa controlar a dor aguda e, a longo prazo, reduzir os níveis de ácido úrico para prevenir novos surtos e a progressão da doença, utilizando medicamentos como alopurinol ou febuxostate. A modificação do estilo de vida, incluindo a redução do consumo de álcool e alimentos ricos em purinas, é fundamental.
A gota crônica é sugerida por dor articular com padrão de surto-remissão, acometimento inicial de membros inferiores (podagra), progressão para poliartrite e a presença de tofos, que são depósitos subcutâneos de cristais de urato.
Os cristais de urato se depositam nas articulações e tecidos moles, desencadeando uma resposta inflamatória intensa mediada por neutrófilos e citocinas, levando à dor, edema, calor e, cronicamente, à destruição articular e formação de tofos.
O consumo excessivo de álcool, especialmente cerveja e destilados, aumenta a produção de ácido úrico e diminui sua excreção renal. O tabagismo, embora menos diretamente ligado à hiperuricemia, é um fator de risco para doenças cardiovasculares frequentemente associadas à gota.
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