Gota e Hipertensão: Impacto de Medicamentos na Hiperuricemia

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2015

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 42 anos, procurou ambulatório referindo que há cerca de 5 anos vem apresentando crises frequentes de artrites, acometendo joelhos e tarsos. Tem antecedentes de hipertensão arterial para a qual faz uso de atenolol 25 mg/dia, losartana potássico 50 mg/dia e hidroclorotiazida 50 mg/dia há cerca de 7 anos. Usa por conta própria AAS 100 mg/dia desde que soube ser hipertenso. Nega antecedentes familiares de doenças reumáticas. Sem outras queixas. O exame clínico não mostrou achados relevantes para o caso, exceto crepitações finas à flexo-extensão dos joelhos, PA = 120 x 70 mmHg. Qual assertiva está INCORRETA para o caso?

Alternativas

  1. A) A propedêutica para o caso deve incluir, entre outros, ácido úrico, TGO, TGP, creatinina, ultrassonografia dos rins e vias urinárias e uricosúria de 24 horas.
  2. B) O tratamento deve incluir medidas tais como a mudança no tratamento da hipertensão arterial, dentre outras.
  3. C) Em sua fase aguda, tem como principal diagnóstico diferencial a artrite infecciosa; o acometimento renal é a forma mais comum de manifestação extra-articular, sendo causa importante de insuficiência renal aguda oligúrica.
  4. D) O diagnóstico provável é gota primária.

Pérola Clínica

Gota secundária a tiazídicos/AAS é comum; a propedêutica renal é essencial.

Resumo-Chave

A hidroclorotiazida e o AAS são medicamentos que podem induzir ou agravar a hiperuricemia e, consequentemente, a gota. A investigação deve ser completa, incluindo função renal e uricosúria, e a revisão da farmacoterapia é crucial no manejo da gota secundária.

Contexto Educacional

A gota é uma doença inflamatória causada pela deposição de cristais de monourato de sódio em articulações e tecidos, resultante da hiperuricemia. É uma das artrites inflamatórias mais comuns, com prevalência crescente devido a fatores como dieta, obesidade e uso de certos medicamentos. O reconhecimento da gota é fundamental para evitar danos articulares crônicos e melhorar a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia da gota envolve a produção excessiva ou a excreção diminuída de ácido úrico. No caso apresentado, o uso de hidroclorotiazida e AAS em baixas doses são fatores de risco conhecidos para hiperuricemia e gota secundária, pois ambos podem reduzir a excreção renal de urato. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico e exames laboratoriais, como ácido úrico sérico e análise do líquido sinovial. A propedêutica renal é importante para avaliar a função renal e a uricosúria de 24 horas ajuda a diferenciar entre hiperprodução e hipoexcreção de urato. O tratamento da gota envolve o manejo da crise aguda e a terapia hipouricemiante. No caso de gota secundária a medicamentos, a modificação da farmacoterapia é um pilar do tratamento. A substituição de diuréticos tiazídicos por outras classes de anti-hipertensivos que não afetam o metabolismo do urato é uma medida importante. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas a falta de manejo pode levar a tofos, nefrolitíase e nefropatia por urato.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos podem causar ou agravar a gota?

Diuréticos tiazídicos (como hidroclorotiazida), diuréticos de alça e o ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses são conhecidos por aumentar os níveis de ácido úrico e precipitar crises de gota. Outros incluem ciclosporina e pirazinamida.

Qual a conduta inicial para um paciente hipertenso com gota secundária a medicamentos?

A conduta inicial deve incluir a revisão e, se possível, a substituição dos medicamentos que elevam o ácido úrico, como a hidroclorotiazida. Além disso, é importante iniciar o tratamento da crise aguda e considerar a profilaxia para crises futuras.

Como diferenciar gota primária de gota secundária?

A gota primária é idiopática, geralmente associada a fatores genéticos ou dietéticos. A gota secundária é causada por outra condição ou medicamento que leva à hiperuricemia. A história clínica detalhada, incluindo uso de medicamentos, é crucial para essa diferenciação.

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