UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 66a, procura a Unidade Básica de Saúde com história de sete dias de dor articular em punho direito. A dor iniciou de maneira relativamente súbita, com edema e calor local, associada a dor de repouso e rigidez. Nos últimos dois anos, vem experimentando dores articulares em joelhos, tornozelos, punhos, dedos das mãos e dos pés. Por vezes as articulações incham, com melhora espontânea ou após injeções que toma no Pronto Atendimento, cujos nomes não se recorda. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial e obesidade. Medicamentos em uso: hidroclorotiazida. Exame físico: bom estado geral, sem alterações no exame cardíaco, pulmonar e abdominal. Exame articular: calor e dor à palpação e mobilização do punho direito. As demais articulações não se apresentam inflamadas. Foi realizada punção articular que excluiu infecção. Pesquisa de fator reumatoide=negativo. Considerando aspectos clínicos e epidemiológicos, A MEDICAÇÃO QUE MAIS PROVAVELMENTE CONTROLARÁ A DOENÇA ARTICULAR, A LONGO PRAZO, É:
Gota crônica + comorbidades (obesidade, HAS, diurético) → Alopurinol/Febuxostat para controle a longo prazo.
A paciente apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de gota crônica, com episódios recorrentes de artrite inflamatória aguda em múltiplas articulações, fatores de risco como obesidade, hipertensão e uso de hidroclorotiazida. O tratamento a longo prazo visa reduzir os níveis séricos de ácido úrico para prevenir novas crises e a formação de tofos.
A gota é uma doença inflamatória causada pela deposição de cristais de urato monossódico em articulações e tecidos, resultante da hiperuricemia. É uma das artrites inflamatórias mais comuns, com prevalência crescente devido a fatores como obesidade, hipertensão, diabetes e uso de diuréticos. Clinicamente, manifesta-se por crises agudas de artrite, geralmente monoarticular, com dor excruciante, edema, calor e rubor, frequentemente no hálux (podagra), mas podendo afetar outras articulações como punhos, joelhos e tornozelos. A história da paciente, com episódios recorrentes de artrite inflamatória em múltiplas articulações, melhora com injeções (sugerindo corticoides) e fatores de risco como obesidade e uso de hidroclorotiazida, é altamente sugestiva de gota crônica. A exclusão de infecção e o fator reumatoide negativo direcionam o diagnóstico para uma artropatia por cristais. O tratamento da gota envolve duas fases: o tratamento da crise aguda (com AINEs, colchicina ou corticoides) e a prevenção de crises futuras e complicações a longo prazo. Para o controle a longo prazo, o objetivo é reduzir os níveis séricos de ácido úrico para abaixo de 6 mg/dL (ou 5 mg/dL em casos de tofos ou crises frequentes). As medicações hipouricemiantes incluem inibidores da xantina oxidase, como o alopurinol (primeira linha) e o febuxostat, que diminuem a produção de ácido úrico. Uricosúricos, como a probenecida, podem ser usados em pacientes com subexcreção de urato. A escolha da medicação deve considerar comorbidades e interações medicamentosas, sendo essencial a educação do paciente sobre dieta e estilo de vida.
Os principais fatores de risco incluem hiperuricemia, obesidade, consumo excessivo de álcool (especialmente cerveja), dieta rica em purinas, uso de diuréticos tiazídicos, insuficiência renal e certas condições genéticas.
A medicação de primeira linha para o controle a longo prazo da gota é o alopurinol, um inibidor da xantina oxidase, que reduz a produção de ácido úrico. Em casos de intolerância ou falha, o febuxostat pode ser uma alternativa.
A gota é caracterizada por crises agudas de monoartrite ou oligoartrite, frequentemente noturna, com dor intensa, calor, rubor e edema. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação de cristais de urato monossódico no líquido sinovial.
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