Gota Aguda (Podagra): Diagnóstico, Fatores de Risco e Manejo

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Ricardo, um homem de 52 anos com histórico de hipertensão arterial em uso regular de hidroclorotiazida e enalapril, procura a Unidade de Pronto Atendimento com uma queixa de dor súbita e excruciante na base do hálux esquerdo. O quadro teve início há cerca de 6 horas, durante a madrugada, acordando o paciente. Ele relata que a dor é tão intensa que não suporta sequer o peso do lençol sobre o pé. No dia anterior, Ricardo participou de um churrasco onde consumiu grande quantidade de carne vermelha e cerveja. Ao exame físico, o paciente apresenta-se afebril (temperatura axilar de 36,6°C), com a primeira articulação metatarsofalangeana esquerda apresentando edema importante, eritema intenso, calor local e extrema sensibilidade ao toque, com incapacidade de deambulação. Não há história de trauma recente. Com base no quadro clínico descrito, a hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) Artrite séptica
  2. B) Celulite
  3. C) Gota
  4. D) Osteoartrite

Pérola Clínica

Dor súbita no hálux (podagra) + Álcool/Carne + Diuréticos Tiazídicos = Gota até que se prove o contrário.

Resumo-Chave

A gota é uma artrite inflamatória aguda causada pela deposição de cristais de urato monossódico. Gatilhos comuns incluem dieta rica em purinas, álcool e medicamentos que alteram a excreção renal de ácido úrico.

Contexto Educacional

A gota é a forma mais comum de artrite inflamatória em homens acima de 40 anos. Sua fisiopatologia baseia-se na saturação do ácido úrico no líquido extracelular, levando à formação de cristais de urato monossódico. Quando esses cristais se depositam no espaço articular, eles são fagocitados por macrófagos, ativando o inflamassoma NLRP3 e liberando citocinas pró-inflamatórias como a IL-1-beta, o que gera a dor excruciante característica. O quadro clássico é a podagra (acometimento da 1ª metatarsofalangeana), ocorrendo frequentemente à noite devido à menor temperatura e maior reabsorção de água da articulação, o que aumenta a concentração local de urato. Fatores dietéticos (carne vermelha, frutos do mar, cerveja rica em guanosina) e medicamentosos (diuréticos, aspirina em baixa dose) são gatilhos fundamentais que devem ser investigados na anamnese para o manejo preventivo a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Por que os diuréticos tiazídicos podem desencadear crises de gota?

Os diuréticos tiazídicos, como a hidroclorotiazida, competem com o ácido úrico pelos transportadores de ácidos orgânicos nos túbulos renais. Isso reduz a excreção renal de ácido úrico, levando à hiperuricemia. Além disso, a depleção de volume causada pelo diurético aumenta a reabsorção proximal de urato, elevando ainda mais os níveis séricos e facilitando a precipitação de cristais nas articulações.

Como diferenciar gota de artrite séptica no pronto atendimento?

Ambas apresentam sinais flogísticos intensos. A artrite séptica geralmente cursa com febre alta, calafrios e queda do estado geral, enquanto na gota o paciente costuma estar afebril (ou com febre baixa). O padrão-ouro é a artrocentese com análise do líquido sinovial: na gota, observam-se cristais de urato monossódico com birrefringência negativa forte; na artrite séptica, há leucocitose extrema e presença de bactérias no Gram ou cultura.

Qual o tratamento de primeira linha para a crise aguda de gota?

O tratamento inicial foca na redução da inflamação e dor. As opções de primeira linha incluem Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINES), Colchicina ou Corticosteroides (sistêmicos ou intra-articulares). A escolha depende das comorbidades do paciente (ex: evitar AINES em insuficiência renal ou úlcera péptica). O Alopurinol não deve ser iniciado na crise, mas se o paciente já o utilizava, a dose deve ser mantida.

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