UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Homem de 45 anos, índice de massa corpórea (IMC) de 40kg/m² , histórico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, seguido de infarto agudo do miocárdio, faz uso de enalapril, carvedilol, atorvastatina e AAS em dose baixa. Por aumento assintomático do ácido úrico, iniciou alopurinol há três dias. O paciente relata que acordou essa noite com febre de 39°C, dor intensa em hálux direito, que se encontra hiperemiado e quente. Os exames mostram glicemia = 105mg/dL, ureia = 47mg/dL, creatinina = 1,2mg/dL, sódio = 138mEq/L, potássio = 5,8mEq/L e ácido úrico = 10mg/dL. Nesse caso, a conduta mais adequada será:
Crise gotosa aguda: iniciar colchicina e suspender alopurinol, pois alopurinol pode piorar a crise ao mobilizar cristais.
O alopurinol, um inibidor da xantina oxidase, é usado para reduzir os níveis de ácido úrico a longo prazo. No entanto, seu início ou ajuste durante uma crise aguda de gota pode precipitar ou piorar a crise, mobilizando cristais de urato. Portanto, em uma crise aguda, o alopurinol deve ser suspenso temporariamente e o tratamento da crise (colchicina, AINEs ou corticoides) iniciado.
A gota é uma doença inflamatória causada pela deposição de cristais de monourato de sódio em articulações e tecidos, resultante da hiperuricemia. A crise gotosa aguda é caracterizada por dor intensa, inchaço, calor e vermelhidão, geralmente em uma única articulação, sendo o hálux (podagra) o local mais comum. A hiperuricemia assintomática não requer tratamento farmacológico, mas a presença de comorbidades como insuficiência cardíaca e obesidade são fatores de risco para crises. A fisiopatologia da crise aguda envolve a liberação e fagocitose dos cristais de urato por neutrófilos, desencadeando uma cascata inflamatória. O diagnóstico é clínico, mas a punção articular com identificação de cristais birrefringentes negativos é o padrão-ouro. É importante diferenciar de outras artrites, como a séptica. O paciente do caso apresenta fatores de risco e um quadro clássico de gota aguda. O tratamento da crise aguda visa aliviar a dor e a inflamação. As opções incluem colchicina, AINEs (com cautela em pacientes com comorbidades renais ou cardiovasculares) e corticosteroides. O alopurinol, um hipouricemiante, é para tratamento crônico e não deve ser iniciado ou mantido durante a crise aguda, pois pode mobilizar cristais e prolongar o episódio inflamatório. Uma vez controlada a crise, o alopurinol pode ser reiniciado ou ajustado, geralmente após 2-4 semanas.
A conduta inicial para uma crise aguda de gota envolve o controle da inflamação e da dor. As opções incluem colchicina, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou corticosteroides, dependendo das comorbidades do paciente.
O alopurinol é um medicamento que reduz a produção de ácido úrico e é usado para o controle crônico da hiperuricemia. No entanto, ao iniciar ou ajustar sua dose durante uma crise aguda, ele pode mobilizar cristais de urato, prolongando ou exacerbando a inflamação, por isso deve ser suspenso temporariamente.
AINEs são contraindicados em pacientes com insuficiência renal significativa, insuficiência cardíaca descompensada, doença ulcerosa péptica ativa ou histórico de sangramento gastrointestinal, e em pacientes em uso de anticoagulantes, como o AAS em dose alta. No caso do paciente, a insuficiência cardíaca e o uso de AAS de forma crônica aumentam o risco.
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