Gossibipoma Abdominal: Diagnóstico e Complicações Pós-Operatórias

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 17 anos deu entrada na emergência em choque hemorrágico grave devido a ferimento penetrante abdominal, e foi submetido a uma laparotomia exploradora, sendo encontrada volumosa quantidade de sangue intraperitoneal, e submetido a sutura hepática e gástrica. No pós-operatório, o paciente evoluiu com febre, distensão e dor abdominal. Submetido à tomografia abdominal (demonstrada a seguir).O diagnóstico da lesão (setas) é

Alternativas

  1. A) abscesso multiloculado.
  2. B) gossibipoma abdominal.
  3. C) bilioma secundário.
  4. D) hematoma subcapsular hepático.
  5. E) lipólise mesentérica primária

Pérola Clínica

Febre + dor/distensão abdominal pós-op + massa em TC = suspeitar de gossibipoma (corpo estranho cirúrgico retido).

Resumo-Chave

O gossibipoma, ou textiloma, é uma complicação rara mas grave de cirurgias, caracterizada pela retenção de material cirúrgico (geralmente compressas) no corpo. Manifesta-se no pós-operatório com sintomas inespecíficos como febre, dor e distensão abdominal, e o diagnóstico é confirmado por exames de imagem como a tomografia.

Contexto Educacional

O gossibipoma, ou textiloma, refere-se à retenção de material cirúrgico (mais comumente compressas ou gazes) no corpo do paciente após um procedimento cirúrgico. Embora seja uma complicação rara, sua ocorrência é grave e pode levar a morbidade significativa e até mortalidade, além de implicações médico-legais. A incidência varia, mas é mais comum em cirurgias de emergência, procedimentos prolongados ou em pacientes obesos. O conhecimento sobre essa entidade é crucial para residentes de cirurgia e radiologia, pois o diagnóstico pode ser desafiador. A fisiopatologia envolve uma reação inflamatória ao corpo estranho, que pode ser asséptica (formando uma massa granulomatosa) ou séptica (levando à formação de abscesso). Os sintomas são inespecíficos e variam de dor abdominal, febre, distensão, fístulas, até obstrução intestinal, podendo surgir semanas, meses ou até anos após a cirurgia. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com história de cirurgia prévia e sintomas abdominais inexplicáveis. A tomografia computadorizada (TC) é o método de imagem de escolha para o diagnóstico, podendo revelar uma massa com características sugestivas, como a presença de um fio radiopaco ou um padrão espiralado. O tratamento do gossibipoma é cirúrgico, com a remoção do material retido. A prevenção é a melhor abordagem, baseada em protocolos rigorosos de contagem de material cirúrgico e, em alguns casos, o uso de compressas com marcadores radiopacos e radiografias intraoperatórias. A educação contínua da equipe cirúrgica sobre a importância da contagem e a vigilância para sintomas pós-operatórios atípicos são essenciais para minimizar a ocorrência dessa complicação e melhorar os desfechos dos pacientes.

Perguntas Frequentes

O que é um gossibipoma e como ele se manifesta clinicamente?

Um gossibipoma, também conhecido como textiloma, é um corpo estranho cirúrgico retido, geralmente uma compressa ou gaze, que pode causar uma reação inflamatória. Clinicamente, pode se manifestar com dor, febre, massa palpável, distensão abdominal, fístulas ou até mesmo ser assintomático por anos, dependendo da localização e da reação tecidual.

Quais exames de imagem são úteis para diagnosticar um gossibipoma?

A tomografia computadorizada (TC) é o exame de imagem mais útil, podendo revelar uma massa com densidade heterogênea, por vezes com bolhas de gás ou calcificações, e em alguns casos, com um padrão espiralado característico (whirl sign) se a compressa tiver um fio radiopaco. Ultrassonografia e ressonância magnética também podem ser utilizadas.

Como prevenir a ocorrência de gossibipomas?

A prevenção envolve a contagem rigorosa de todo o material cirúrgico (compressas, gazes, instrumentos) antes, durante e após o procedimento. O uso de compressas com fios radiopacos e a realização de radiografias intraoperatórias em casos de alta suspeita ou cirurgias complexas também são medidas preventivas importantes.

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