CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2024
Sobre o procedimento abaixo, é correto afirmar:
MIGS/Goniotomia → Hifema transitório é a complicação pós-op mais comum (refluxo sanguíneo).
Procedimentos de glaucoma que atuam no trabeculado ou canal de Schlemm frequentemente causam hifema por refluxo de sangue venoso episcleral quando a pressão ocular cai abaixo da pressão venosa.
A questão aborda procedimentos que intervêm na via de saída convencional do humor aquoso. A goniotomia (ou trabeculotomia ab interno) é realizada sob visualização direta do ângulo iridocorneano com o auxílio de uma lente de goniossinerese. Diferente da trabeculectomia convencional, não há formação de bolha filtrante externa. O hifema é a intercorrência mais esperada. Ele surge do refluxo hemático através da abertura criada no trabeculado. Embora assuste o paciente, raramente compromete o resultado final. O conhecimento da anatomia do ângulo e da dinâmica de pressões (PIO vs Pressão Venosa Episcleral) é essencial para o cirurgião de glaucoma moderno que utiliza técnicas MIGS.
O hifema ocorre devido ao refluxo de sangue dos vasos episclerais e do canal de Schlemm para a câmara anterior. Durante o procedimento (como goniotomia ou implante de stents trabeculares), a resistência do trabeculado é removida ou contornada. No pós-operatório imediato, se a pressão intraocular (PIO) cair momentaneamente abaixo da pressão venosa episcleral (que é cerca de 8-10 mmHg), o sangue flui no sentido inverso para dentro do olho. Esse fenômeno é frequentemente considerado um sinal de que a comunicação com o sistema de drenagem natural foi estabelecida com sucesso.
Na maioria dos casos, o hifema após MIGS ou goniotomia é autolimitado e resolve-se espontaneamente em poucos dias. O manejo inclui repouso com a cabeceira elevada (30-45 graus) para favorecer a sedimentação do sangue e evitar a obstrução do eixo visual, além do uso de corticoides tópicos para controlar a inflamação. É importante monitorar picos pressóricos, pois os glóbulos vermelhos podem obstruir temporariamente o trabeculado remanescente. Lavagem da câmara anterior raramente é necessária, a menos que haja hipertensão ocular incontrolável ou risco de impregnação hemática da córnea.
Os procedimentos MIGS (Minimally Invasive Glaucoma Surgery) oferecem um perfil de segurança superior, com recuperação mais rápida e menor risco de complicações graves como hipotonia profunda, descolamento de coroide ou endoftalmite relacionada à bolha. Eles não formam bolha filtrante subconjuntival, preservando a conjuntiva para cirurgias futuras. No entanto, sua eficácia na redução da PIO é geralmente menor que a da trabeculectomia, sendo indicados principalmente para glaucoma leve a moderado ou em associação com a cirurgia de catarata.
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