CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
A gonioscopia de “indentação” (depressão corneana) com a lente de Zeiss é especialmente útil para:
Gonioscopia de indentação → Diferencia fechamento aposicional (reversível) de sinéquias (permanente).
A pressão da lente de Zeiss empurra o humor aquoso para a periferia, forçando a abertura do ângulo se não houver adesões anatômicas (sinéquias).
A gonioscopia é um componente essencial do exame oftalmológico para pacientes com suspeita de glaucoma. A técnica de indentação, descrita por Forbes, utiliza lentes de quatro espelhos (Zeiss, Sussman ou Posner) para aplicar pressão central na córnea. Clinicamente, esta técnica é o 'divisor de águas' no manejo do ângulo estreito. Ela permite ao oftalmologista visualizar se o trabeculado está apenas escondido pela íris ou se está fundido a ela. A presença de sinéquias anteriores periféricas (SAP) sugere episódios prévios de fechamento angular agudo ou subagudo, alterando o prognóstico e a estratégia de tratamento do paciente.
Durante o exame, o examinador aplica uma pressão suave com a lente de Zeiss (que possui uma superfície de contato menor que a córnea) no centro da córnea. Essa pressão desloca o humor aquoso da câmara anterior para a periferia do ângulo. Se o ângulo estiver fechado apenas por contato (aposição), o aquoso 'empurrará' a íris para trás, revelando as estruturas do ângulo. Se houver sinéquias, o ângulo permanecerá fechado.
A lente de Goldmann possui uma base de contato larga e requer o uso de uma substância viscosa (interface), sendo ideal para visualização detalhada e laser, mas não permite indentação. A lente de Zeiss (ou Sussman) tem uma base menor, não requer interface viscosa e permite a indentação dinâmica, sendo essencial para avaliar a reversibilidade do fechamento angular.
Essa distinção define a conduta terapêutica. O fechamento aposicional pode ser revertido com procedimentos como a iridotomia periférica a laser, que equaliza as pressões entre as câmaras. Já o fechamento por sinéquias indica um dano anatômico permanente onde a iridotomia pode não ser suficiente para controlar a pressão intraocular, exigindo frequentemente intervenções cirúrgicas como a trabeculectomia.
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