GNDA na Infância: Diagnóstico e Indicações de Biópsia

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um pré-escolar de 5 anos de idade foi levado ao pronto-socorro com história de edema periorbitário abdominal há uma semana. A mãe contou que o edema é mais intenso pela manhã e que a criança apresentou diminuição do volume urinário e urina ""cor de coca-cola"" nos últimos dias. Ao exame físico, mostrava-se hipertenso (PA = 130 mmHg X 90 mmHg), com edema periorbitário (++/4+) e edema abdominal moderado. Ausculta pulmonar e cardíaca estavam normais. No que se refere aos exames complementares para o diagnóstico desse caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A presença de hematúria macroscópica com dismorfismo eritrocitário no exame de urina EAS é patognomônica dessa nefropatia, dispensando a necessidade de biópsia renal para confirmação diagnóstica.
  2. B) A dosagem sérica de complemento C3 e C4 apresenta-se invariavelmente reduzida na fase aguda de GNDA, sendo um marcador crucial para o diagnóstico diferencial com outras glomerulopatias.
  3. C) A proteinúria geralmente é de alta intensidade (> 3,5 g/24 h), acompanhada de hipoalbuminemia e hiperlipidemia, configurando um quadro de síndrome nefrótica.
  4. D) A biópsia renal, apesar de não ser obrigatória em todos os casos, pode ser indicada em situações atípicas, como ausência de história de infecção precedente, hematúria macroscópica persistente ou proteinúria nefrótica.

Pérola Clínica

GNDA → conduta expectante; biópsia se: C3 baixo > 8 sem, proteinúria nefrótica ou IRA grave.

Resumo-Chave

A GNDA é tipicamente pós-infecciosa e autolimitada. A biópsia renal é reservada para casos atípicos ou evolução fora do padrão esperado.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é a causa mais comum de síndrome nefrítica na infância. O quadro clínico clássico surge 1 a 3 semanas após uma faringite ou piodermite. O diagnóstico baseia-se no tripé: quadro clínico compatível, evidência de infecção estreptocócica recente (ASLO ou cultura) e queda transitória do complemento C3.\n\nO tratamento é focado no suporte: restrição hídrica e dietética (hipossódica) e controle da hipertensão com diuréticos de alça (furosemida). Antibióticos são usados para erradicar a cepa estreptocócica da comunidade, mas não alteram a evolução da doença renal. A maioria das crianças apresenta prognóstico excelente, com resolução completa das alterações em semanas ou meses.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações de biópsia renal na GNDA?

A biópsia renal na suspeita de GNDA está indicada em casos atípicos: ausência de período de latência entre a infecção e a nefrite, evidência de doença sistêmica (ex: lúpus), oligúria/anúria persistente por mais de 72 horas, hipocomplementenemia (C3 baixo) que persiste por mais de 8 semanas, hematúria macroscópica persistente ou proteinúria em níveis nefróticos.

Como o complemento se comporta na GNDA?

Na Glomerulonefrite Difusa Aguda pós-estreptocócica, há classicamente um consumo da via alternativa do complemento, resultando em níveis baixos de C3 e CH50, enquanto o C4 costuma ser normal. A normalização do C3 deve ocorrer em até 8 semanas; se permanecer baixo após esse período, deve-se investigar outras glomerulopatias, como a membranoproliferativa.

Qual a diferença entre síndrome nefrítica e nefrótica?

A síndrome nefrítica (típica da GNDA) caracteriza-se por hematúria (frequentemente com dismorfismo eritrocitário), hipertensão arterial, edema leve a moderado e oligúria. Já a síndrome nefrótica define-se por proteinúria maciça (>3,5g/24h ou >50mg/kg/dia), hipoalbuminemia grave, edema generalizado (anasarca) e hiperlipidemia.

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