GMFCS na Paralisia Cerebral e Comorbidades Epilépticas

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um menino de 7 anos de idade, com diagnóstico de paralisia cerebral do tipo diplegia espástica decorrente de leucomalácia periventricular por prematuridade extrema, é levado à consulta de acompanhamento. A mãe relata que a criança consegue caminhar de forma independente em ambientes internos e na escola, mas apresenta desequilíbrio em terrenos gramados ou superfícies irregulares. Ao subir as escadas do prédio onde mora, ele sempre necessita utilizar o corrimão para manter a segurança. Em passeios mais longos ao shopping, a família opta por utilizar um carrinho ou andador, pois a criança cansa rapidamente e teme quedas em locais com muitas pessoas. Além disso, a professora enviou um relatório descrevendo que o aluno apresenta episódios frequentes de 'desligamento' durante as aulas, que duram poucos segundos, nos quais ele interrompe a fala ou a atividade e não responde a estímulos, retornando ao normal logo em seguida, sem demonstrar cansaço. Com base na classificação do Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS) e no quadro clínico descrito, assinale a alternativa que apresenta a classificação correta e a comorbidade mais provável:

Alternativas

  1. A) GMFCS Nível II e Crise de Ausência.
  2. B) GMFCS Nível I e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
  3. C) GMFCS Nível II e Distúrbio do Processamento Auditivo Central.
  4. D) GMFCS Nível III e Crise Focal com comprometimento da consciência.

Pérola Clínica

GMFCS II = Anda com limitações (escadas com corrimão) + Crise de ausência = 'Desligamentos'.

Resumo-Chave

O GMFCS Nível II caracteriza crianças que andam sozinhas mas têm dificuldade em superfícies irregulares e longas distâncias. Episódios de 'desligamento' sugerem crises de ausência.

Contexto Educacional

O Gross Motor Function Classification System (GMFCS) é a ferramenta padrão ouro para descrever a função motora grossa em crianças com paralisia cerebral, focando no que a criança consegue fazer em seu ambiente habitual. O Nível II representa um estágio de independência na marcha, porém com limitações qualitativas e de resistência. A distinção entre o Nível I e II reside principalmente na capacidade de correr, pular e subir escadas sem apoio, habilidades que estão prejudicadas no Nível II. Paralelamente, a paralisia cerebral é uma condição multissistêmica. A epilepsia é uma das comorbidades mais frequentes, ocorrendo em cerca de 15-60% dos casos. Embora crises focais sejam comuns em lesões corticais, crises de ausência ou episódios de 'desligamento' devem ser investigados, especialmente quando impactam o aprendizado. O diagnóstico diferencial inclui TDAH, mas a natureza súbita e a interrupção completa da consciência durante o episódio apontam fortemente para uma etiologia epiléptica, exigindo confirmação por eletroencefalograma (EEG).

Perguntas Frequentes

O que define o GMFCS Nível II?

Crianças no nível II caminham na maioria dos ambientes, mas podem ter dificuldade em longas distâncias, terrenos irregulares ou subir escadas sem corrimão. Elas podem precisar de dispositivos de mobilidade (como carrinhos ou andadores) para distâncias maiores ou em locais com multidões devido ao equilíbrio precário.

Como identificar crises de ausência na infância?

Caracterizam-se por lapsos súbitos de consciência, olhar fixo e interrupção abrupta de atividades ou fala, durando poucos segundos (geralmente <10s). Não há perda de tônus postural importante nem estado pós-ictal, com retorno imediato à atividade anterior.

Qual a relação entre leucomalácia periventricular e diplegia?

A leucomalácia periventricular (LPV) é uma lesão da substância branca comum em prematuros. Como as fibras motoras do trato corticoespinhal destinadas aos membros inferiores passam mais próximas aos ventrículos laterais, a LPV resulta tipicamente em diplegia espástica (acometimento predominante de pernas.

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