USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Homem, 55 anos, teve infecção de vias aéreas superiores há 3 semanas, com melhora após uso de anti-inflamatório não esteroidal por 10 dias. Refere adinamia, redução do volume de diurese e edema de membros inferiores, progressivo, há 1 semana. Exame físico: PA= 140 x 90 mmHg, FC = 100 bpm. Ausculta: bulhas cardíacas rítmicas e hiperfonéticas, sem sopro: murmúrio vesicular presente, com crepitações em bases pulmonares. Exames laboratoriais Cr 3,0 mg/dL, Ur: 100mg/dL, Na: 140 mEq/L, K: 4,0 mEq/L, Ca: 7,5 mg/dL, albumina: 1,8 mg/dL e dosagens de complemento C3 e C4 normais; urina rotina densidade: 1020, hemácias: 2/campo, leucócitos: 2/campo, proteínas: 500 mg/dL, lipídeos: 3+. Qual a hipótese mais provável?
GLM: Síndrome nefrótica, complemento normal, sem hematúria significativa, pode ser desencadeada por AINEs.
A glomerulopatia por lesões mínimas é uma causa comum de síndrome nefrótica, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema, com função renal que pode estar comprometida. A ausência de hematúria significativa e complemento normal são pistas importantes, e AINEs podem ser um gatilho.
A glomerulopatia por lesões mínimas (GLM) é a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças e uma causa significativa em adultos, especialmente em idosos. Caracteriza-se por proteinúria maciça (>3,5g/24h), hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia, resultando em um quadro clínico de anasarca e disfunção renal. Sua importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico preciso para iniciar o tratamento adequado e evitar complicações. A fisiopatologia da GLM envolve uma disfunção dos podócitos, levando à perda da barreira de filtração glomerular e proteinúria. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e laboratorialmente pelos achados da síndrome nefrótica, com complemento sérico normal e ausência de hematúria significativa. A biópsia renal é o padrão-ouro, revelando fusão difusa dos processos podocitários à microscopia eletrônica, sem alterações à microscopia óptica ou imunofluorescência. O tratamento da GLM em adultos geralmente envolve corticosteroides, com boa resposta na maioria dos casos. Em pacientes refratários ou com recidivas frequentes, podem ser utilizados imunossupressores como ciclosporina, tacrolimus ou rituximabe. O prognóstico é geralmente bom, mas a doença pode cursar com recidivas e, em alguns casos, evoluir para insuficiência renal crônica se não tratada adequadamente ou em formas resistentes.
Os principais achados incluem proteinúria maciça (nefrotica), hipoalbuminemia, hiperlipidemia e, frequentemente, função renal alterada. O complemento sérico geralmente é normal.
Na glomerulopatia por lesões mínimas, o complemento sérico é normal e a hematúria é mínima. Já na glomerulonefrite pós-infecciosa, há consumo de complemento (C3 baixo) e hematúria mais proeminente, além de um período latente mais curto após a infecção.
Embora seja frequentemente idiopática, a glomerulopatia por lesões mínimas pode ser desencadeada por infecções virais, uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), reações alérgicas e, mais raramente, associada a linfomas.
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