Glomerulopatia Membranosa: Diagnóstico Histopatológico

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Homem, 52 anos de idade, apresentava há 4 meses edema de membrosinferiores, que evoluiu para anasarca após 1 mês. Foi internado com diagnóstico de síndrome nefrótica. Realizou biópsia renal, apresentando à microscopia óptica 20 glomérulos com espessamento difuso da membrana basal glomerular e, à imunofluorescência, presença de IgG e C3 em depósitos subepiteliais, com padrão granular. Qual é o diagnóstico histológico?

Alternativas

  1. A) Doença de lesões mínimas.
  2. B) Glomerulonefrite por anticorpo anti-membrana basal glomerular.
  3. C) Nefropatia diabética.
  4. D) Glomerulopatia membranosa.

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica + espessamento difuso MBG + IgG/C3 granular subepitelial = Glomerulopatia Membranosa.

Resumo-Chave

A glomerulopatia membranosa é uma causa comum de síndrome nefrótica em adultos, caracterizada por espessamento da membrana basal glomerular e depósitos imunes subepiteliais de IgG e C3 com padrão granular na imunofluorescência, refletindo a formação de imunocomplexos in situ ou circulantes.

Contexto Educacional

A glomerulopatia membranosa (GM) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrótica em adultos, sendo responsável por aproximadamente 25-30% dos casos. É uma doença autoimune caracterizada pela formação de imunocomplexos que se depositam na face subepitelial da membrana basal glomerular, levando a uma resposta inflamatória e aumento da permeabilidade capilar glomerular, resultando em proteinúria maciça. O diagnóstico é estabelecido por biópsia renal. À microscopia óptica, observa-se espessamento difuso da membrana basal glomerular, sem proliferação celular significativa. A imunofluorescência é crucial, revelando depósitos granulares de IgG e C3 ao longo da membrana basal glomerular, característicos da deposição de imunocomplexos. A microscopia eletrônica pode confirmar a presença de depósitos subepiteliais e a formação de 'spikes' na membrana basal. O tratamento da GM visa reduzir a proteinúria e preservar a função renal, podendo incluir inibidores da ECA/BRA, diuréticos e, em casos de alto risco de progressão, imunossupressores como corticosteroides, ciclofosfamida ou rituximabe. O prognóstico varia, com alguns pacientes apresentando remissão espontânea, enquanto outros progridem para doença renal crônica terminal. A identificação do anticorpo anti-PLA2R tem revolucionado o manejo, permitindo um diagnóstico não invasivo e monitoramento da atividade da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são as características patológicas da glomerulopatia membranosa?

A glomerulopatia membranosa é caracterizada por espessamento difuso da membrana basal glomerular à microscopia óptica e pela presença de depósitos subepiteliais de imunocomplexos (IgG e C3) com padrão granular na imunofluorescência.

Como a glomerulopatia membranosa se manifesta clinicamente?

Clinicamente, a glomerulopatia membranosa se manifesta como síndrome nefrótica, com proteinúria maciça (>3,5g/dia), hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Pode haver também hipertensão e insuficiência renal progressiva.

Qual a importância do anticorpo anti-PLA2R na glomerulopatia membranosa?

O anticorpo anti-receptor da fosfolipase A2 (anti-PLA2R) é um marcador sorológico específico para a glomerulopatia membranosa primária, presente em cerca de 70-80% dos casos. Sua detecção auxilia no diagnóstico e pode guiar o tratamento.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo