Glomerulopatia Membranosa: Diagnóstico com AntiPLA2R

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 60 anos foi admitido com quadro de anasarca. Seus exames evidenciaram Cr 1,5 mg/dL (normal até 1,2), EAS com proteinúria 4+/4, sem hematúria. Dosagem de antiPLA2R positivo. Baseado neste caso, qual glomerulopatia apresenta esse paciente?

Alternativas

  1. A) Nefropatia da IgA.
  2. B) Glomerulonefrite rapidamente progressiva.
  3. C) Glomerulopatia membranosa.
  4. D) Doença de lesão mínima.
  5. E) Glomeruloesclerose focal e segmentar.

Pérola Clínica

Anasarca + proteinúria maciça + antiPLA2R positivo = Glomerulopatia Membranosa Primária.

Resumo-Chave

A presença de anasarca e proteinúria maciça (4+/4) indica síndrome nefrótica. O marcador antiPLA2R positivo é altamente específico para a glomerulopatia membranosa primária, confirmando o diagnóstico neste paciente de 60 anos.

Contexto Educacional

A glomerulopatia membranosa é uma das causas mais comuns de síndrome nefrótica em adultos, especialmente em indivíduos com mais de 40 anos. É caracterizada por depósitos de imunocomplexos na membrana basal glomerular, levando a um espessamento da mesma e proteinúria maciça. A apresentação clínica clássica é a síndrome nefrótica, com edema generalizado (anasarca), proteinúria >3,5g/24h, hipoalbuminemia e hiperlipidemia. A descoberta do anticorpo antiPLA2R (receptor da fosfolipase A2 tipo M) revolucionou o diagnóstico e manejo da glomerulopatia membranosa primária. Este anticorpo é encontrado em cerca de 70-80% dos pacientes com a forma primária da doença e é altamente específico. Sua positividade em um paciente com síndrome nefrótica e ausência de causas secundárias (como lúpus, hepatite B, medicamentos) é suficiente para o diagnóstico de glomerulopatia membranosa primária, muitas vezes evitando a necessidade de biópsia renal. O tratamento visa reduzir a proteinúria, controlar os sintomas da síndrome nefrótica e prevenir a progressão para doença renal crônica. Inclui medidas de suporte (restrição de sódio, diuréticos, inibidores do sistema renina-angiotensina) e terapia imunossupressora para pacientes com alto risco de progressão, com rituximabe e ciclosporina/tacrolimus sendo opções eficazes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da glomerulopatia membranosa?

A glomerulopatia membranosa tipicamente se manifesta como síndrome nefrótica, caracterizada por proteinúria maciça (>3,5g/24h), hipoalbuminemia, edema (anasarca) e hiperlipidemia. A hematúria é incomum ou microscópica.

Qual a importância do anticorpo antiPLA2R no diagnóstico da glomerulopatia membranosa?

O anticorpo antiPLA2R (receptor da fosfolipase A2 tipo M) é um biomarcador altamente específico para a glomerulopatia membranosa primária (idiopática). Sua positividade em um paciente com síndrome nefrótica dispensa, em muitos casos, a biópsia renal para o diagnóstico etiológico.

Como a glomerulopatia membranosa é tratada?

O tratamento da glomerulopatia membranosa varia de acordo com o risco de progressão da doença. Inclui medidas de suporte para a síndrome nefrótica (diuréticos, IECA/BRA, estatinas) e, em casos de alto risco, imunossupressores como rituximabe, ciclosporina ou ciclofosfamida associada a corticosteroides.

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