Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva: Diagnóstico e Sinais

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Homem, 45 anos, hipertenso e diabético há 10 anos. Há 4 meses apresentava-se assintomático, com PA: 128 x 82mmHg e os seguintes exames laboratoriais: Cr: 1,0mg/dL, Ur: 33mg/dL, Hemoglobina glicada: 6,9%, Urina I sem alterações e proteinúria: 120mg/24hs (VR < 150mg/24hs). Há 3 meses fez uso de cetoprofeno, durante 1 semana, por dor em ombro. Há 1 mês refere urina espumosa e aumento da pressão arterial.Exames laboratoriais atuais: Cr: 3,8mg/dL, Ur:118mg/dL, Hemoglobina glicada: 7,2%, Urina I: proteína 2+, hemácias: 250 por campo (15% de acantócitos) e proteinúria: 1700mg/24hs.Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Nefropatia diabética.
  2. B) Microangiopatia trombótica.
  3. C) Glomerulonefrite rapidamente progressiva.
  4. D) Nefrite túbulo-intersticial aguda.

Pérola Clínica

Deterioração renal aguda + hematúria glomerular (acantócitos) + proteinúria = Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva (GNRP).

Resumo-Chave

A rápida deterioração da função renal (Cr de 1.0 para 3.8 em 3 meses), associada à hematúria glomerular (acantócitos) e proteinúria significativa, mesmo em paciente diabético/hipertenso, sugere fortemente uma glomerulonefrite rapidamente progressiva, que é uma condição grave e requer investigação e tratamento urgentes.

Contexto Educacional

A glomerulonefrite rapidamente progressiva (GNRP) é uma síndrome clínica caracterizada por uma perda rápida e progressiva da função renal (geralmente uma queda de 50% na TFG em 3 meses), associada a achados de glomerulonefrite na biópsia renal (crescentes em mais de 50% dos glomérulos). É uma emergência nefrológica que, se não tratada, pode levar à doença renal terminal em semanas ou meses. Clinicamente, os pacientes podem apresentar sintomas inespecíficos como mal-estar, fadiga, anorexia, além de edema, hipertensão e oligúria. Os achados laboratoriais cruciais incluem elevação da creatinina sérica, proteinúria (geralmente em faixa nefrótica ou subnefrótica) e, mais caracteristicamente, hematúria glomerular, evidenciada pela presença de dismorfismo eritrocitário, como os acantócitos, no exame de urina. O diagnóstico diferencial é amplo, mas a presença de acantócitos é um forte indicativo de origem glomerular da hematúria. A biópsia renal é fundamental para confirmar o diagnóstico e classificar o tipo de GNRP (anti-MBG, imunocomplexos, pauci-imune), o que direciona o tratamento, que frequentemente envolve imunossupressão agressiva. A suspeita precoce e a intervenção rápida são cruciais para preservar a função renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais que indicam glomerulonefrite rapidamente progressiva?

Os achados laboratoriais incluem elevação rápida da creatinina sérica, proteinúria (geralmente em faixa nefrótica ou subnefrótica) e, crucialmente, hematúria glomerular com presença de dismorfismo eritrocitário, como os acantócitos.

Qual a importância dos acantócitos na urina para o diagnóstico de GNRP?

A presença de acantócitos na urina é um forte indicativo de hematúria de origem glomerular, sugerindo lesão nos glomérulos. Este achado é fundamental para a suspeita de glomerulonefrite, incluindo a GNRP.

Como diferenciar a GNRP de outras causas de injúria renal aguda em diabéticos?

Em diabéticos, a GNRP deve ser diferenciada da nefropatia diabética (que geralmente tem progressão mais lenta e ausência de hematúria glomerular) e da nefrite túbulo-intersticial aguda (associada a AINEs, mas sem hematúria glomerular e acantócitos).

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