Glomerulonefrite Pós-Infecciosa: Diagnóstico e Patologia

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Leia o caso a seguir: Um paciente está em avaliação de injúria renal aguda a princípio de causa indefinida. Tem hematúria microscópica e proteinúria subnefrótica. Na investigação secundária ele apresenta um C3 diminuído. O restante da investigação secundária é normal. Foi realizada uma biópsia renal e a microscopia eletrônica revelou "humps" nos glomérulos. A provável etiologia da injúria renal aguda é a glomerulopatia:

Alternativas

  1. A) Por lesões mínimas.
  2. B) Segmentar e focal.
  3. C) Por IgA.
  4. D) Pós-infecciosa.

Pérola Clínica

Hematúria + C3 baixo + 'Humps' na microscopia eletrônica = GNPE (Pós-infecciosa).

Resumo-Chave

A GNPE é a causa clássica de síndrome nefrítica com queda transitória de C3 e presença de depósitos subepiteliais (humps) na microscopia eletrônica.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é o protótipo das síndromes nefríticas na infância, embora possa ocorrer em adultos. A patogênese envolve o depósito de imunocomplexos formados contra antígenos do estreptococo beta-hemolítico do grupo A (como a exotoxina piogênica estreptocócica B). O diagnóstico é frequentemente clínico-laboratorial (hematúria, edema, hipertensão, C3 baixo e evidência de infecção estreptocócica prévia). A biópsia renal é reservada para casos atípicos (insuficiência renal rapidamente progressiva, C3 baixo por mais de 8 semanas ou ausência de período de latência). A microscopia eletrônica é definitiva ao mostrar os 'humps', que são o marco patológico da doença.

Perguntas Frequentes

O que são 'humps' na biópsia renal?

Os 'humps' (ou corcovas) são depósitos eletrodensos volumosos localizados no espaço subepitelial (entre a membrana basal glomerular e os podócitos), visualizados na microscopia eletrônica. Eles representam complexos imunes (IgG e C3) e são característicos da glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNPE) e outras glomerulonefrites pós-infecciosas.

Qual o perfil do complemento na GNPE?

Na GNPE, ocorre ativação da via alternativa do complemento, resultando em níveis diminuídos de C3 e CH50, enquanto o C4 geralmente permanece normal. Essa hipocomplementemia é transitória, costumando normalizar em até 6 a 8 semanas após o início do quadro clínico.

Quais os achados clínicos típicos da GNPE?

A tríade clássica inclui hematúria (frequentemente em 'cor de chá' ou 'coca-cola'), edema (predominantemente periorbitário) e hipertensão arterial. O quadro surge geralmente 1 a 3 semanas após uma faringite estreptocócica ou 2 a 6 semanas após uma piodermite.

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