SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Uma criança de cinco anos de idade dá entrada na enfermaria de pediatria por apresentar urina escura, oligúria, edema periorbital e cefaleia. No final da segunda semana de internamento, ainda apresenta: hipertensão arterial de leve intensidade, hematúria glomerular, proteinúria, C3 diminuído, ureia e creatinina normais. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Criança com síndrome nefrítica + C3 baixo após infecção → Glomerulonefrite pós-infecciosa.
A glomerulonefrite pós-infecciosa, frequentemente pós-estreptocócica, manifesta-se com síndrome nefrítica após um período de latência. A diminuição transitória do C3 é um achado laboratorial característico que auxilia no diagnóstico diferencial.
A glomerulonefrite pós-infecciosa (GNPI), frequentemente pós-estreptocócica (GNPE), é uma causa comum de síndrome nefrítica em crianças, tipicamente ocorrendo 1-3 semanas após uma infecção de orofaringe ou pele por Streptococcus pyogenes. É crucial reconhecer a tríade clássica de hematúria, edema e hipertensão, que pode ser acompanhada de oligúria e cefaleia, para um diagnóstico precoce e manejo adequado. A fisiopatologia envolve a deposição de complexos imunes nos glomérulos, ativando o sistema complemento e resultando em inflamação. O achado de C3 sérico diminuído, que se normaliza em 6-8 semanas, é um marcador diagnóstico importante. A confirmação da infecção estreptocócica prévia pode ser feita por cultura de orofaringe, ASLO ou anti-DNase B. O diagnóstico diferencial inclui outras glomerulopatias que cursam com hipocomplementemia. O tratamento da GNPI é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e anti-hipertensivos), o edema e a sobrecarga volêmica. Restrição hídrica e de sódio são medidas importantes. Antibioticoterapia é indicada apenas para erradicar a infecção estreptocócica ativa, não alterando o curso da glomerulonefrite. O prognóstico é geralmente excelente na infância, com recuperação completa na maioria dos casos, mas o acompanhamento a longo prazo é recomendado para identificar possíveis complicações tardias.
Os principais sinais incluem hematúria (urina escura), edema (especialmente periorbital), oligúria e hipertensão arterial. Pode haver também cefaleia e mal-estar geral.
O C3 está diminuído devido à ativação da via alternativa do complemento pelos complexos imunes formados durante a resposta à infecção, levando ao consumo transitório do C3.
O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças apresentando recuperação completa da função renal. Complicações graves como insuficiência renal aguda são raras, mas requerem monitoramento.
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