Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Manejo

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023

Enunciado

Lucas, 7 anos, vem a consulta pediátrica devido a edema bipalpebral e em MMII há cerca de 2 dias. Queixa-se também de urina escura. No exame físico: múltiplas cicatrizes em MMII, secundárias piodermites. PA: 140:90 mmHg. Com base no diagnóstico provável da criança, assinale a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) Espera-se proteinúria inferior a 50 mg/m2/h.
  2. B) Espera-se queda da fração 3 do Complemento.
  3. C) De regra, níveis elevados de colesterol e triglicerídeos não deverão estar presentes.
  4. D) Em cerca de 90% dos casos, espera-se recuperação completa.
  5. E) O tratamento deverá constar de diuréticos, anti-hipertensivos e corticosteroides.

Pérola Clínica

Criança + edema + urina escura + piodermite prévia + hipertensão → GNPE, C3 ↓, proteinúria < 50 mg/m2/h.

Resumo-Chave

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma complicação comum de infecções estreptocócicas (faringite ou piodermite), manifestando-se com edema, hipertensão e hematúria (urina escura). O diagnóstico é clínico e laboratorial, com queda do C3. O tratamento é de suporte, e corticosteroides não são rotineiramente indicados.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das glomerulonefrites mais comuns na infância, ocorrendo geralmente 1-3 semanas após uma infecção de orofaringe ou pele (piodermite) por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes. É uma doença mediada por imunocomplexos que se depositam nos glomérulos, causando inflamação. O quadro clínico clássico inclui edema (facial e de membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria e hematúria (urina escura, cor de "coca-cola"). O diagnóstico é suportado por achados laboratoriais como níveis reduzidos de C3 do complemento e títulos elevados de anticorpos anti-estreptocócicos (ASLO, anti-DNase B). A proteinúria é geralmente subnefrótica. O tratamento da GNPE é primariamente de suporte, focando no controle da hipertensão e do edema com diuréticos e anti-hipertensivos. Antibióticos são usados para erradicar a infecção estreptocócica, mas não alteram o curso da glomerulonefrite. É crucial que residentes compreendam que corticosteroides não são parte do tratamento rotineiro, e que o prognóstico é geralmente excelente, com recuperação completa em cerca de 90% dos casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos e laboratoriais típicos da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE)?

Clinicamente, edema (especialmente periorbital), hipertensão, oligúria e urina escura (hematúria macroscópica). Laboratorialmente, queda da fração C3 do complemento, ASLO ou anti-DNase B elevados e proteinúria geralmente não nefrótica.

Por que a fração C3 do complemento está baixa na GNPE?

A GNPE é uma doença mediada por imunocomplexos que ativam a via alternativa do complemento, levando ao consumo de C3. Os níveis de C3 geralmente se normalizam em 6-8 semanas.

Qual o tratamento recomendado para a GNPE?

O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão (anti-hipertensivos), o edema (diuréticos) e a sobrecarga volêmica. Antibióticos podem ser usados para erradicar a cepa estreptocócica, mas não alteram o curso da glomerulonefrite. Corticosteroides não são indicados rotineiramente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo