Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Sinais

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Jonas, de nove anos de idade, é levado à UBS por apresentar urina avermelhada há 4 dias e dor de cabeça. No exame físico, apresenta edema palpebral bilateral discreto e hipertensão arterial. Qual dos exames é característico da doença em questão?

Alternativas

  1. A) Dosagem de complemento C4 baixo;
  2. B) Proteinúria maior que 50 mg/kg/dia;
  3. C) Hipoalbuminemia;
  4. D) Hematúria consumo de C3.

Pérola Clínica

Criança com hematúria, edema e hipertensão pós-infecção → GNPE, caracterizada por consumo transitório de C3.

Resumo-Chave

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma complicação comum de infecções estreptocócicas, manifestando-se com hematúria, edema e hipertensão. O diagnóstico laboratorial chave é a redução transitória do complemento C3, indicando ativação da via alternativa do complemento.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das glomerulonefrites mais comuns na infância, representando uma complicação não supurativa de infecções causadas pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A), como faringite ou impetigo. É crucial para residentes reconhecer essa condição devido ao seu potencial de morbidade, embora o prognóstico a longo prazo seja geralmente bom. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e desencadeando uma resposta inflamatória. Clinicamente, a GNPE manifesta-se tipicamente 1 a 3 semanas após uma faringite ou 3 a 6 semanas após uma piodermite. Os achados clássicos incluem hematúria (macroscópica ou microscópica), edema (inicialmente periorbital, depois generalizado), hipertensão arterial e, por vezes, oligúria. O diagnóstico é suportado por evidências de infecção estreptocócica recente (ASLO ou anti-DNase B elevados) e, laboratorialmente, pela redução transitória dos níveis séricos de C3, com C4 geralmente normal, indicando ativação da via alternativa do complemento. O tratamento da GNPE é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e/ou anti-hipertensivos), o edema e a sobrecarga hídrica. A restrição de sódio e líquidos é fundamental. Antibióticos são indicados apenas para erradicar a cepa estreptocócica e prevenir a disseminação, não alterando o curso da glomerulonefrite. O acompanhamento da função renal e dos níveis de complemento é essencial, pois a maioria dos casos evolui para a recuperação completa, embora uma pequena porcentagem possa desenvolver doença renal crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE)?

Os principais sinais e sintomas da GNPE incluem hematúria (urina avermelhada ou cor de Coca-Cola), edema (especialmente palpebral e facial), hipertensão arterial, oligúria e, em alguns casos, cefaleia e mal-estar geral, surgindo 1 a 3 semanas após uma infecção estreptocócica.

Qual o papel do complemento C3 no diagnóstico da GNPE?

A dosagem do complemento C3 é crucial no diagnóstico da GNPE. Níveis baixos de C3, com C4 geralmente normal, são característicos e refletem o consumo do complemento pela via alternativa devido à formação de imunocomplexos. O C3 tende a normalizar em 6 a 8 semanas.

Como diferenciar a GNPE de outras causas de hematúria e edema em crianças?

A GNPE é diferenciada pela história de infecção estreptocócica prévia, presença de hematúria, edema e hipertensão, e, principalmente, pela hipocomplementemia transitória (C3 baixo com C4 normal). Outras glomerulonefrites podem ter padrões diferentes de complemento ou ausência de infecção prévia.

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