Fisiopatologia e Diagnóstico da GNPE na Pediatria

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Criança do sexo feminino, com sete anos de idade, é trazida pela mãe à Unidade Básica de Saúde, porque há três dias apresenta-se com adinamia, urina escura (cor de “coca-cola”) e inchaço nos olhos pela manhã. A mãe informa que há 15 dias a criança apresentou febre elevada e “dor de garganta” que regrediram com o uso de antitérmico e de anti-inflamatório não hormonal (ibuprofeno). Na consulta o médico observa que a criança se encontra em regular estado geral, afebril, eupneica, hipocorada (+/4), com frequência cardíaca de 116 bpm, Pressão artérial = 118x82 mmHg, edema de face (+/4) e de membros inferiores (++/4). Os demais aspectos do exame físico são normais. Na síndrome que a criança apresenta, a resposta inflamatória responsável pela instalação da lesão nefrítica:

Alternativas

  1. A) É consequência da ativação do complemento, da liberação de fatores quimiotáticos e do recrutamento de neutrófilos.
  2. B) Decorre da fixação de estreptococos beta-hemolíticos nas alças capilares glomerulares e da consequente infiltração celular.
  3. C) Deve-se a modificações de uma IgM que, no contexto de uma infecção, torna-se imunogênica e desenvolve afinidade pelo glomérulo renal.
  4. D) Depende da deposição mesangial de C3, fibrina e IgA, e da proliferação de células mesangiais com expansão da matriz.
  5. E) Manifesta-se por hipercelularidade glomerular, expansão da matriz mesangial e duplicação da membrana basal glomerular.

Pérola Clínica

GNPE = Hematúria + Edema + HAS após faringite/piodermite com queda de C3 e ativação de neutrófilos.

Resumo-Chave

A GNPE é uma doença imunomediada onde a deposição de antígenos estreptocócicos no glomérulo ativa a via alternativa do complemento, gerando inflamação e queda da filtração glomerular.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é o protótipo da síndrome nefrítica na infância. Ocorre tipicamente 1 a 3 semanas após uma faringoamigdalite ou 2 a 6 semanas após uma piodermite por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes (Grupo A). O tratamento é essencialmente de suporte, focando no controle da hipertensão e do balanço hídrico (restrição de sódio e diuréticos de alça). O prognóstico a longo prazo na infância é excelente, com a maioria dos pacientes recuperando a função renal completa, embora a hematúria microscópica possa persistir por meses.

Perguntas Frequentes

Como ocorre a lesão glomerular na GNPE?

A lesão é mediada pela deposição de imunocomplexos ou antígenos estreptocócicos (como a proteinase piogênica exotoxina B) nos glomérulos. Isso desencadeia a ativação da via alternativa do complemento, resultando na liberação de fatores quimiotáticos (C5a) que recrutam neutrófilos e monócitos, causando inflamação, hipercelularidade e redução da área de filtração.

Qual o perfil do complemento na GNPE?

O achado laboratorial clássico é a hipocomplementenemia, especificamente a queda dos níveis de C3 e CH50, com níveis de C4 geralmente normais (indicando ativação da via alternativa). O C3 deve retornar aos níveis normais em até 8 semanas; caso contrário, outros diagnósticos devem ser considerados.

Quais os principais sintomas da síndrome nefrítica?

A síndrome nefrítica na GNPE manifesta-se pela tríade: hematúria (frequentemente macroscópica, cor de chá ou coca-cola), edema (predominantemente periorbitário matinal) e hipertensão arterial. Também pode haver oligúria e graus variáveis de proteinúria (geralmente não nefrótica).

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