PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Joelma, 10 anos, é atendida no Pronto Atendimento com queixa de “inchaço dos olhos e diminuição do xixi” há 4 dias. Na semana passada ela teve dor de garganta e foi tratada com Amoxicilina. Ao exame físico, apresenta edema facial e de membros inferiores 2 cruzes em 4 e pressão arterial com níveis acima do percentil 95 para sexo, idade e percentil da altura. Você faz uma fita urinária dela e tem 3 cruzes de hemácias e 1 cruz de proteína. Solicita então exames de sangue. Dentre eles, qual é o mais importante para definir o diagnóstico desta paciente?
Criança + edema + HAS + hematúria/proteinúria + infecção estreptocócica prévia → GNPE. C3 baixo confirma.
O quadro clínico de Joelma (edema, hipertensão, hematúria, proteinúria e história de faringite prévia) é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE). A dosagem do complemento sérico C3 é crucial para o diagnóstico, pois na GNPE, o C3 está tipicamente reduzido e se normaliza em 6-8 semanas.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica aguda em crianças, representando uma complicação não supurativa de infecções prévias por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce e manejo adequado para evitar complicações como insuficiência renal aguda, hipertensão grave e encefalopatia hipertensiva. A epidemiologia mostra que a GNPE ocorre tipicamente 1 a 3 semanas após uma faringite estreptocócica ou 3 a 6 semanas após uma infecção cutânea (piodermite). A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e desencadeando uma resposta inflamatória. O diagnóstico é fortemente sugerido pela tríade clínica de edema (especialmente periorbital), hipertensão arterial e alterações urinárias (hematúria, proteinúria, cilindros hemáticos), em um paciente com história recente de infecção estreptocócica. A fita urinária revelando hematúria e proteinúria é um achado chave. Para a confirmação diagnóstica, a dosagem do complemento sérico C3 é fundamental, pois na GNPE, o C3 está classicamente reduzido devido ao consumo na via alternativa do complemento, normalizando-se em cerca de 6 a 8 semanas. Outros exames incluem ASLO e anti-DNAse B para evidenciar infecção estreptocócica prévia. O tratamento da GNPE é primariamente de suporte, focado no controle da hipertensão (com diuréticos como furosemida e/ou anti-hipertensivos), manejo do edema (restrição de sódio e líquidos) e monitoramento da função renal. A antibioticoterapia é indicada se houver evidência de infecção estreptocócica ativa, mas não altera o curso da glomerulonefrite já instalada. O prognóstico a longo prazo é geralmente excelente em crianças, com recuperação completa da função renal na maioria dos casos, embora um pequeno percentual possa desenvolver doença renal crônica.
A GNPE se manifesta tipicamente com edema (facial, periorbital e de membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria (diminuição do volume urinário) e urina escura (hematúria macroscópica), geralmente 1 a 3 semanas após uma infecção estreptocócica (faringite ou piodermite).
O complemento C3 é crucial porque na GNPE, ele está classicamente reduzido (hipocomplementenemia) devido à ativação da via alternativa do complemento pelos imunocomplexos depositados nos glomérulos. Essa redução é transitória, normalizando-se em 6 a 8 semanas, o que ajuda a diferenciar a GNPE de outras glomerulonefrites.
O tratamento da GNPE é de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e/ou anti-hipertensivos), o edema (restrição hídrica e de sódio, diuréticos) e a oligúria. A antibioticoterapia (se ainda houver infecção ativa) é importante para erradicar o estreptococo e prevenir a disseminação, mas não altera o curso da nefrite já estabelecida.
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