FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022
Adolescente, 14 anos, faz acompanhamento desde nascimento no seu ambulatório, sempre com boa saúde. Refere os olhos inchados e a urina mais escura, atribuindo esses sintomas ao fato de ficar muito tempo diante da tela do computador assistindo às aulas remotas e por ingerir pouca água, respectivamente. Refere que, há 14 dias, apresentou quadro de dor de garganta e febre, que melhoraram espontaneamente com uso de exclusivo de dipirona. Encontra-se bem desde então. Antecedentes pessoais: apresentou doenças leves próprias da infância, sem intercorrências. Nega uso de droga ou atividade sexual. Ao exame físico, encontra-se em BEG, eupneico, corado, hidratado, ativo, com peso e altura localizados no percentil 50 para idade e sexo. Aferição foi de PA = 135 x 85 mmHg. Notou-se um discreto edema periorbital. Sem alterações nos demais aparelhos. O exame da fita de urina mostrou uma densidade de 1020 e +2 de sangue e +2 proteínas. Assinale a alternativa correta sobre esse caso.
GNPE: ATB na faringite previne febre reumática, mas NÃO a GNPE.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma complicação não supurativa de infecções pelo Estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBHGA), que se manifesta com edema, hipertensão e hematúria. Diferente da febre reumática, a GNPE não é prevenida pelo tratamento antibiótico precoce da infecção estreptocócica, pois a lesão renal é mediada por complexos imunes já formados.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das principais causas de doença renal aguda em crianças e adolescentes, sendo uma complicação não supurativa de infecções prévias pelo Estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBHGA), como faringite ou piodermite. A compreensão de sua fisiopatologia, apresentação clínica e manejo é crucial para residentes de pediatria e clínica médica. A GNPE é caracterizada por uma síndrome nefrítica aguda, que se manifesta tipicamente 1 a 3 semanas após uma infecção de orofaringe ou 3 a 6 semanas após uma infecção de pele. Os sinais clássicos incluem edema (frequentemente periorbital e em membros inferiores), hipertensão arterial, hematúria macroscópica (urina "cor de coca-cola") e, em alguns casos, oligúria. O diagnóstico é suportado por evidências de infecção estreptocócica recente (ASLO ou anti-DNAse B elevados) e níveis baixos de C3 e CH50 no soro, com C4 geralmente normal. Um ponto crítico para residentes é a distinção entre a prevenção da febre reumática e da GNPE. Enquanto o tratamento antibiótico precoce e adequado da faringite estreptocócica é altamente eficaz na prevenção da febre reumática, ele não previne o desenvolvimento da GNPE. Isso ocorre porque a GNPE é uma doença mediada por imunocomplexos que já se formaram e se depositaram nos glomérulos no momento em que os sintomas aparecem, independentemente da erradicação bacteriana. O manejo da GNPE é principalmente de suporte, com controle da pressão arterial, balanço hídrico e restrição de sódio. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria dos casos.
A GNPE tipicamente se manifesta com edema (especialmente periorbital), hipertensão arterial, hematúria (urina escura, cor de 'coca-cola') e oligúria. Esses sintomas geralmente surgem 1 a 3 semanas após uma infecção de garganta ou pele por Estreptococo beta-hemolítico do grupo A.
O tratamento antibiótico adequado da infecção por Estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBHGA) na fase inicial é eficaz na prevenção da febre reumática. No entanto, esse mesmo tratamento não previne o desenvolvimento da GNPE, pois a patogênese da GNPE envolve a formação de imunocomplexos que já podem ter se iniciado.
Para o diagnóstico de GNPE, são úteis exames como EAS (mostrando hematúria, proteinúria), dosagem de complemento sérico (C3 e CH50 geralmente baixos, C4 normal), e títulos de anticorpos anti-estreptocócicos (ASLO, anti-DNAse B) elevados, indicando infecção prévia por EBHGA.
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