UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2023
Menina, 7 anos de idade, apresentou quadro de faringoamigdalite bacteriana há cerca de 2 semanas, evoluindo há 01 dia com quadro de edema, hematúria macroscópica e redução do débito urinário. Após atendimento em pronto-socorro, foi observada hematúria com dismorfismo eritrocitário positivo e hipertensão arterial. Em relação à condição apresentada pela paciente assinale a alternativa correta:
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica aguda em crianças, sendo uma complicação imunomediada de infecções prévias pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É crucial para residentes reconhecerem o quadro clínico e a história de infecção recente para um diagnóstico precoce e manejo adequado, evitando complicações. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e causando inflamação. Clinicamente, a GNPE se manifesta com hematúria (muitas vezes macroscópica, com urina cor de 'Coca-Cola'), edema (facial, periorbital), hipertensão arterial e oligúria. O diagnóstico é suportado pela história de faringoamigdalite ou piodermite recente, elevação de anticorpos anti-estreptocócicos (ASLO, anti-DNAse B) e hipocomplementemia transitória (C3 baixo). O manejo da GNPE é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão e o edema com restrição hídrica e de sódio, e uso de diuréticos e anti-hipertensivos. Antibióticos são indicados para erradicar a infecção estreptocócica, mas não alteram o curso da glomerulonefrite. O prognóstico é geralmente excelente em crianças, com recuperação completa da função renal em mais de 90% dos casos, embora uma pequena porcentagem possa evoluir para doença renal crônica.
A GNPE manifesta-se classicamente como uma síndrome nefrítica, caracterizada por hematúria (macro ou microscópica), edema (periorbital e de membros inferiores), hipertensão arterial e oligúria. Pode haver também mal-estar, febre baixa e dor lombar.
A dosagem do complemento sérico, especialmente o C3, é crucial. Na GNPE, o C3 está tipicamente reduzido e normaliza espontaneamente em 6 a 8 semanas. A persistência de C3 baixo após esse período sugere outras glomerulonefrites.
O intervalo entre a infecção estreptocócica e o início da GNPE é geralmente de 1 a 2 semanas após faringoamigdalite e de 3 a 6 semanas após piodermite. Essa diferença é importante para a anamnese e diagnóstico.
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