GNPE: Diagnóstico e Manejo da Síndrome Nefrítica em Crianças

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Ricardo, um escolar de 8 anos, é levado à Unidade de Pronto Atendimento com queixa de inchaço nos olhos e urina de coloração escura, semelhante a chá mate, há 2 dias. A mãe relata que, há cerca de 20 dias, o menino apresentou diversas lesões de pele purulentas e crostosas em ambos os membros inferiores, que foram tratadas apenas com limpeza local e pomada cicatrizante. Ao exame físico, Ricardo encontra-se em bom estado geral, porém com edema periorbital bilateral e edema de membros inferiores (2+/4+). A pressão arterial aferida é de 132 x 88 mmHg (acima do percentil 95 para a idade e altura). O exame de urina revela hematúria macroscópica, com presença de cilindros hemáticos e dismorfismo eritrocitário em 85% das hemácias, além de proteinúria leve. A creatinina sérica é de 0,9 mg/dL (valor de referência: 0,4 a 0,7 mg/dL). Diante do quadro clínico e laboratorial apresentado, a conduta inicial mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Prescrição de Penicilina G Benzatina intramuscular para o tratamento da inflamação glomerular aguda.
  2. B) Início de corticoterapia com Prednisona (2 mg/kg/dia) para redução da resposta inflamatória renal.
  3. C) Internação hospitalar para restrição hídrica, dieta hipossódica e administração de furosemida.
  4. D) Solicitação imediata de biópsia renal percutânea devido à elevação da creatinina e presença de proteinúria.

Pérola Clínica

Hematúria + Hipertensão + Edema após infecção de pele/faringe = GNPE. Conduta: Suporte.

Resumo-Chave

A GNPE é uma síndrome nefrítica mediada por imunocomplexos; o tratamento foca no controle da volemia e da pressão arterial, não na antibioticoterapia para o rim.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é o protótipo da síndrome nefrítica na infância. Ocorre após uma infecção por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes (faringite ou piodermite), com um período de latência de 1 a 3 semanas. O quadro clínico clássico inclui hematúria macroscópica (urina cor de chá), edema periorbitário e hipertensão arterial. O diagnóstico é reforçado pelo achado de hematúria dismórfica e cilindros hemáticos no sedimento urinário, além da queda transitória do complemento (C3). O manejo é essencialmente de suporte, visando controlar as complicações da sobrecarga volêmica, como a encefalopatia hipertensiva e a congestão volêmica. A internação é indicada para monitorização rigorosa do peso, balanço hídrico e pressão arterial.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da penicilina no tratamento da GNPE?

A penicilina não trata a inflamação glomerular já instalada nem previne o desenvolvimento da GNPE após uma infecção cutânea ou faríngea. Sua indicação na fase aguda da GNPE serve exclusivamente para erradicar o Streptococcus pyogenes remanescente do paciente, impedindo a transmissão de cepas nefritogênicas para contatos próximos. O dano renal é imunomediado e não uma infecção direta.

Por que a restrição hídrica e a furosemida são a base do tratamento?

A fisiopatologia da GNPE envolve a redução da taxa de filtração glomerular com retenção reflexa de sódio e água, levando à hipervolemia. Essa hipervolemia é a causa direta do edema e da hipertensão arterial. Portanto, o tratamento é focado no balanço hídrico negativo através da restrição de líquidos, dieta hipossódica e uso de diuréticos de alça (furosemida) para eliminar o excesso de volume.

Quando indicar biópsia renal em um caso suspeito de GNPE?

A biópsia renal não é rotina. Ela deve ser reservada para casos atípicos: ausência de período de latência, hipocomplementemia persistente por mais de 8 semanas, oligúria prolongada (> 72h), proteinúria nefrótica persistente ou evidência de doença sistêmica. Na maioria das crianças, a recuperação clínica (melhora da hipertensão e edema) ocorre em 1-2 semanas.

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