SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um pré-escolar de 5 anos de idade foi levado ao pronto-socorro com história de edema periorbitário abdominal há uma semana. A mãe contou que o edema é mais intenso pela manhã e que a criança apresentou diminuição do volume urinário e urina ""cor de coca-cola"" nos últimos dias. Ao exame físico, mostrava-se hipertenso (PA = 130 mmHg X 90 mmHg), com edema periorbitário (++/4+) e edema abdominal moderado. Ausculta pulmonar e cardíaca estavam normais. Quais são a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial nesse caso clinico?
Edema + Hipertensão + Hematúria (coca-cola) + C3 baixo = GNPE (Síndrome Nefrítica).
A GNPE é a causa clássica de síndrome nefrítica pós-infecciosa, manifestando-se após faringite ou piodermite, caracterizada por queda transitória do complemento C3.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma doença imunomediada que ocorre após uma infecção por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes. O período de latência é de 1 a 3 semanas após faringite e de 2 a 6 semanas após piodermite. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos no glomérulo, ativando a via alternativa do complemento e gerando inflamação local.\n\nO diagnóstico é eminentemente clínico-laboratorial. A presença de ASLO (antiestreptolisina O) elevada sugere infecção faríngea prévia, enquanto o anti-DNAse B é mais sensível para infecções cutâneas. O prognóstico na infância é excelente, com a maioria das crianças recuperando a função renal completamente. A persistência de hipocomplementenemia por mais de 8 semanas ou proteinúria nefrótica deve levantar suspeita de outras glomerulopatias, como a membranoproliferativa.
A tríade clássica da síndrome nefrítica, exemplificada pela GNPE, consiste em hematúria (frequentemente macroscópica, descrita como cor de chá ou coca-cola), edema (geralmente periorbitário e matutino) e hipertensão arterial. Além disso, o paciente pode apresentar oligúria. Laboratorialmente, observa-se hematúria glomerular (com dismorfismo eritrocitário ou cilindros hemáticos) e, na GNPE especificamente, uma queda nos níveis séricos do complemento C3, que costuma normalizar em até 8 semanas.
Na Síndrome Nefrótica, o achado principal é a proteinúria maciça (>50mg/kg/dia), que leva a hipoalbuminemia e edema generalizado (anasarca). Diferente da GNPE, na nefrótica a pressão arterial costuma ser normal, não há hematúria significativa e os níveis de complemento são normais (na Doença de Lesões Mínimas). O tratamento da nefrótica é baseado em corticoides, enquanto na GNPE o foco é o controle da hipertensão e da volemia (restrição hídrica e diuréticos).
A conduta inicial foca no suporte e controle das complicações. Deve-se realizar restrição hidrossalina e usar diuréticos de alça (furosemida) para tratar o edema e a hipertensão. A antibioticoterapia (penicilina benzatina) é indicada para erradicar o estreptococo da orofaringe ou pele e evitar a disseminação da cepa nefritogênica, embora não mude o curso da doença renal já instalada. É essencial monitorar a função renal e os níveis de potássio, além de solicitar o C3 para confirmação diagnóstica.
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