UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024
Um menino de 9 meses de idade teve um quadro de impetigo e, duas semanas após, apresentou edema generalizado e aumento da pressão sanguínea arterial. Exames complementares apresentam: creatinina 1,1 mg/dL; ureia 66 mg/dL; potássio 5,0 mEq/L; sódio 142 mEq/L; exame de urina com proteínas +++, leucócitos 100/campo, hemácias 35/campo e presença de cilindros granulosos; proteinúria de 24 horas de 2g/m² de SC em 24h em 1.250 mL de urina; redução dos níveis séricos de complemento; ultrassom de rins e vias urinárias sem alterações; colesterol total 144 mg/dL; HDL 45mg/dl; LDL 81mg/dL; triglicérides de 89mg/dl; albumina 3,0, título de antiestreptolisina 0 de 596UI/mL. Com base no texto, o diagnóstico mais provável é
GNPE: história de infecção estreptocócica (impetigo/faringite), síndrome nefrítica (edema, HAS, hematúria), complemento C3 ↓ e ASO ↑.
A glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNPE) é a causa mais comum de síndrome nefrítica aguda em crianças, classicamente após infecção de pele (impetigo) ou faringite por Streptococcus pyogenes. É caracterizada por edema, hipertensão, hematúria e proteinúria, com achados laboratoriais de complemento sérico reduzido e títulos elevados de antiestreptolisina O (ASO).
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma doença renal inflamatória que se desenvolve após uma infecção por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes, seja na faringe (faringite) ou na pele (impetigo). É a causa mais comum de síndrome nefrítica aguda em crianças, com pico de incidência entre 5 e 12 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. O reconhecimento precoce é fundamental para o manejo adequado e para evitar complicações. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos renais, ativando o sistema complemento e desencadeando uma resposta inflamatória. Clinicamente, a GNPE se manifesta como uma síndrome nefrítica, caracterizada por edema (geralmente facial e em membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria e hematúria (que pode ser macroscópica, com urina de cor 'coca-cola'). A história de uma infecção estreptocócica prévia, geralmente 1 a 3 semanas após faringite ou 2 a 6 semanas após impetigo, é um dado crucial. O diagnóstico é confirmado por achados laboratoriais típicos: elevação dos títulos de antiestreptolisina O (ASO) ou anti-DNase B, que indicam infecção estreptocócica recente, e, mais caracteristicamente, a redução transitória dos níveis séricos do complemento C3. A biópsia renal raramente é necessária, sendo reservada para casos atípicos ou com evolução desfavorável. O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão, o edema e a sobrecarga hídrica, com diuréticos e anti-hipertensivos, e restrição hídrica e de sódio. O prognóstico é geralmente bom em crianças, com recuperação completa da função renal na maioria dos casos.
A GNPE se manifesta clinicamente como uma síndrome nefrítica, caracterizada por edema (especialmente periorbital e em membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria, e urina escura (hematúria macroscópica). Pode haver também dor lombar e mal-estar geral.
Os exames laboratoriais cruciais incluem a análise de urina (hematúria, proteinúria, cilindros), função renal (creatinina, ureia elevadas), eletrólitos, e marcadores de infecção estreptocócica recente (ASO, anti-DNase B) e de ativação do complemento (redução do C3 sérico, que se normaliza em 6-8 semanas).
O impetigo, uma infecção cutânea causada por Streptococcus pyogenes, é uma das infecções precedentes mais comuns da GNPE, especialmente em crianças. A glomerulonefrite se desenvolve tipicamente 2 a 6 semanas após a infecção de pele, devido a uma resposta imune anormal contra antígenos estreptocócicos que se depositam nos glomérulos renais.
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