FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 6 anos de idade, é levado pela mãe para consulta em pronto-socorro. Informa que há 2 semanas o paciente apresentou quadro de amigdalite aguda diagnosticada pelo médico do centro de saúde, com prescrição de amoxicilina por 10 dias. Fez uso correto da medicação e paciente apresentou melhora clínica. Porém, há 3 dias o paciente está apresentando quadro de edema periorbitário e como a mãe está suspeitando de alergia à amoxicilina resolveu levar a criança para avaliação médica. Durante a consulta, quando questionada, a mãe ainda relatou episódios esporádicos de hematúria nos últimos 2 dias. Ao exame físico, o médico notou criança em bom estado geral, com presença de edema periorbitário, além de discreto edema em bolsa escrotal. O exame dos aparelhos respiratório e abdominal estavam normais. Durante avaliação cardiovascular, notou-se FC:100 bpm, com pulsos cheios e simétricos, além de pressão arterial de 150x100 mmHg. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA:
GNPE: Amigdalite prévia (2-3 sem) + Edema + Hematúria + Hipertensão + ASO ↑.
O quadro clínico de edema periorbitário, hematúria e hipertensão, após um período de latência de 1 a 3 semanas de uma infecção estreptocócica (como amigdalite), é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE). A confirmação da infecção prévia por Streptococcus pyogenes, através de exames como o teste antiestreptolisina O (ASO), é fundamental para o diagnóstico.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica aguda em crianças, sendo um tema de grande relevância para residentes. Ela se manifesta tipicamente após um período de latência de 1 a 3 semanas de uma infecção prévia pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), seja faringoamigdalite ou piodermite. A compreensão da fisiopatologia, que envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos, é essencial para o entendimento do quadro clínico. O quadro clínico clássico da GNPE inclui edema (frequentemente periorbitário e em extremidades), hematúria (que pode ser macroscópica, conferindo à urina aspecto de 'chá' ou 'Coca-Cola'), e hipertensão arterial. A oligúria também pode estar presente. A história de uma infecção estreptocócica recente é um pilar diagnóstico. Para confirmar a infecção prévia, exames como o teste antiestreptolisina O (ASO) são importantes, pois seus títulos se elevam após infecções faríngeas. Outros exames incluem complemento sérico (C3 geralmente baixo) e análise de urina. O manejo da GNPE é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e anti-hipertensivos) e o edema (com restrição hídrica e salina, e diuréticos). A maioria dos casos tem um curso benigno e boa recuperação da função renal, especialmente em crianças. É crucial diferenciar a GNPE de outras causas de edema e hematúria, como a síndrome nefrótica, que possui uma fisiopatologia e tratamento distintos. A biópsia renal é raramente necessária, sendo reservada para casos atípicos ou de evolução desfavorável.
Os principais sinais e sintomas da GNPE incluem edema (periorbitário, escrotal), hematúria (macroscópica ou microscópica), hipertensão arterial, oligúria e, por vezes, dor lombar. Estes sintomas surgem após um período de latência de 1 a 3 semanas de uma infecção estreptocócica.
O teste antiestreptolisina O (ASO) é crucial para confirmar a infecção prévia pelo Streptococcus pyogenes, que é o gatilho da GNPE. Níveis elevados ou em ascensão de ASO, juntamente com o quadro clínico, reforçam o diagnóstico de GNPE.
A GNPE é uma síndrome nefrítica, caracterizada por hematúria, hipertensão, edema e oligúria, geralmente após infecção estreptocócica. A síndrome nefrótica, por outro lado, é definida por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema generalizado e hiperlipidemia, sem hematúria ou hipertensão proeminentes na maioria dos casos.
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