USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Menino com 8 anos e história de feridas na perna há 15 dias. Há 5 dias evoluiu com edema palpebral e urina escurecida. Exame físico: edema palpebral e de membros inferiores, frequência respiratória 20 ipm, murmúrio vesicular presente, simétrico, com alguns estertores nas bases, estase jugular discreta; frequência cardíaca 80 bpm, PA 120 x 80 mmHd, fígado palpável a 2,5 cm do rebordo costal direito. Exames laboratoriais: urina tipo 1: proteína ++/4+, leucócitos 60 a 80 por campo; hemácias incontáveis; ureia 71 mg/dL; creatinina 0,7 mg/dL. Qual o tratamento medicamentoso inicial mais indicado para o caso?
GNPE com sobrecarga volêmica e hipertensão → Furosemida é o tratamento medicamentoso inicial mais indicado.
Em casos de Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) com sinais de sobrecarga volêmica (edema, estase jugular, estertores) e hipertensão, o manejo inicial foca na remoção do excesso de fluido e controle pressórico, sendo a furosemida o diurético de escolha.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica em crianças, tipicamente ocorrendo 1 a 2 semanas após uma faringite estreptocócica ou 3 a 6 semanas após uma piodermite. É uma doença imunomediada, onde anticorpos formados contra antígenos estreptocócicos se depositam nos glomérulos, causando inflamação. A apresentação clássica inclui edema (periorbital, membros inferiores), hematúria (urina escurecida), hipertensão e, por vezes, oligúria. A epidemiologia da GNPE tem diminuído em países desenvolvidos devido ao acesso a antibióticos, mas ainda é relevante globalmente. A fisiopatologia envolve a ativação do complemento e a inflamação glomerular, levando a uma diminuição da filtração glomerular e retenção de sódio e água. Isso resulta em sobrecarga volêmica, manifestada por edema, hipertensão e, em casos graves, insuficiência cardíaca congestiva ou edema agudo de pulmão. O diagnóstico é clínico, laboratorial (urina tipo 1 com hematúria, proteinúria, cilindros hemáticos; complemento C3 baixo) e epidemiológico (história de infecção recente). É crucial suspeitar de GNPE em qualquer criança com edema súbito e urina escurecida. O tratamento da GNPE é primariamente de suporte, focado no manejo das complicações. A restrição hídrica e de sódio é essencial. Para a sobrecarga volêmica e hipertensão, diuréticos de alça como a furosemida são a primeira linha de tratamento. Anti-hipertensivos como inibidores da ECA podem ser usados se a hipertensão persistir. Antibióticos são indicados apenas para erradicar a infecção estreptocócica ativa, não para tratar a glomerulonefrite em si. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria das crianças, mas o acompanhamento é importante para monitorar a função renal e a pressão arterial.
A GNPE classicamente se manifesta com edema (especialmente periorbital e de membros inferiores), urina escurecida (hematúria macroscópica), hipertensão arterial e, em casos mais graves, oligúria e sinais de sobrecarga volêmica como dispneia e estase jugular, geralmente após uma infecção estreptocócica de pele ou orofaringe.
A conduta inicial para sobrecarga volêmica na GNPE inclui restrição hídrica e de sódio, e o uso de diuréticos de alça como a furosemida. Em casos de hipertensão grave, podem ser necessários anti-hipertensivos adicionais. O objetivo é reduzir o volume intravascular e controlar a pressão arterial para prevenir complicações como edema agudo de pulmão e encefalopatia hipertensiva.
A furosemida é um diurético potente que atua rapidamente, promovendo a excreção de sódio e água, o que é fundamental para reverter a sobrecarga volêmica e controlar a hipertensão na GNPE. Ela alivia o edema, a congestão pulmonar e reduz a pressão arterial, prevenindo complicações graves.
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