Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Manejo Agudo

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 5 anos, feminina, trazida para unidade de emergência pediátrica, com relato dos pais de febre aferida (38,5oC) há três dias. Há 24 horas, iniciou edema de face e nas pernas, e nas últimas horas ficou letárgica, com redução da produção de urina – e que esta está com coloração avermelhada. Ao exame físico, além do edema, notou-se pressão arterial = 120/80mmhg (P95=108 x 69mmHg). A partir da principal suspeita clínica, a conduta mais adequada neste momento deve ser:

Alternativas

  1. A) Internação hospitalar com prescrição de restrição hídrica e corticoide endovenoso.
  2. B) Internação hospitalar com prescrição de ceftriaxona endovenosa.
  3. C) Internação hospitalar com prescrição de restrição hídrica, restrição de sódio e furosemida.
  4. D) Internação hospitalar com prescrição de dieta hipossódica e infusão de albumina a 20%.

Pérola Clínica

GNPE: Edema, oligúria, hematúria e hipertensão → Restrição hídrica/sódio + diuréticos (furosemida).

Resumo-Chave

Apresentação clássica de síndrome nefrítica, provavelmente Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE), exige manejo da sobrecarga volêmica e hipertensão. A restrição hídrica e de sódio, juntamente com diuréticos como a furosemida, são as medidas mais adequadas para controlar o edema e a pressão arterial elevada, evitando complicações como encefalopatia hipertensiva ou insuficiência cardíaca.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica aguda em crianças, geralmente ocorrendo após infecção por Streptococcus pyogenes. É fundamental para residentes reconhecerem o quadro clínico de edema, hipertensão, oligúria e hematúria, que pode evoluir para complicações graves se não manejado adequadamente. A incidência tem diminuído em países desenvolvidos, mas ainda é relevante em regiões com acesso limitado à saúde e alta prevalência de infecções estreptocócicas. O reconhecimento precoce e o manejo correto são cruciais para um bom prognóstico renal a longo prazo. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos renais, desencadeando uma resposta inflamatória que danifica a barreira de filtração e leva à retenção de sódio e água. O diagnóstico é clínico, laboratorial (ASLO, C3 baixo) e, em casos atípicos, biópsia renal. A suspeita deve surgir em qualquer criança com edema e hipertensão após uma infecção recente. A monitorização da função renal e dos eletrólitos é essencial para guiar o tratamento e identificar potenciais complicações. O tratamento da GNPE é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão e a sobrecarga volêmica. Isso inclui restrição hídrica e de sódio, diuréticos (como furosemida) e, em casos de hipertensão grave, anti-hipertensivos. Antibióticos são indicados apenas para erradicar a infecção estreptocócica ativa, não para tratar a glomerulonefrite em si. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria das crianças, mas um pequeno percentual pode desenvolver doença renal crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE)?

A GNPE classicamente se manifesta com edema (especialmente facial e periorbital), oligúria, hematúria macroscópica (urina avermelhada ou cor de 'coca-cola') e hipertensão arterial, geralmente 1 a 3 semanas após uma infecção estreptocócica de orofaringe ou pele.

Qual a conduta inicial para um paciente pediátrico com suspeita de síndrome nefrítica?

A conduta inicial foca no controle da sobrecarga volêmica e da hipertensão. Isso inclui internação hospitalar, restrição hídrica e de sódio, e o uso de diuréticos de alça como a furosemida. O monitoramento rigoroso da pressão arterial, balanço hídrico e função renal é fundamental.

Por que a restrição hídrica e de sódio é importante no tratamento da GNPE?

A restrição hídrica e de sódio é crucial porque a GNPE cursa com retenção de sódio e água, levando a edema e hipertensão. Essas medidas ajudam a reduzir a sobrecarga volêmica, diminuir o edema e controlar a pressão arterial, prevenindo complicações graves como edema agudo de pulmão ou encefalopatia hipertensiva.

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