GNDA Pós-Estreptocócica: Diagnóstico e Manejo Essencial

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015

Enunciado

Márcia, 10 anos, chega ao serviço de urgência com história de olhos inchados, urina escura e em volume reduzido há 3 dias. Relatava ainda dor de garganta há 10 dias. Ao exame, apresentava edema palpebral bilateral e em membros inferiores. PA: 120 x 80 mmHg (P95: 115 x 76 mmHg; P99: 122 x 83 mmHg). Qual a melhor combinação de investigação laboratorial e terapêutica para esse caso?

Alternativas

  1. A) ASO (Antiestreptolisina O) e dosagem sérica do complemento (C3) / restrição hidrossalina, penicilina benzatina e furosemida.
  2. B) Sumário de urina e dosagem sérica do complemento (C3) / restrição hidrossalina e penicilina benzatina.
  3. C) Proteinúria de 24h, dosagem sérica do complemento (C3) e ASO (Antiestreptolisina O) / restrição hídrica, penicilina benzatina e enalapril.
  4. D) Proteinúria de 24h e albumina sérica / restrição hídrica e prednisona.
  5. E) Sumário de urina, relação proteína/creatinina urinária e dosagem sérica do complemento (C3) / restrição hidrossalina, prednisona e furosemida.

Pérola Clínica

GNDA pós-estreptocócica → Edema, hematúria, oligúria, hipertensão + história de infecção estreptocócica; investigar C3 baixo e tratar com restrição hidrossalina e ATB.

Resumo-Chave

O quadro clínico de Márcia é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica, caracterizada pela tríade edema, hipertensão e hematúria (urina escura), geralmente após uma infecção de vias aéreas superiores. A investigação laboratorial deve incluir sumário de urina e dosagem de C3, que classicamente está baixo. O tratamento é de suporte, com restrição hidrossalina e antibiótico para erradicar o estreptococo.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA) pós-estreptocócica é uma doença renal inflamatória que ocorre após uma infecção por Streptococcus pyogenes, geralmente faringite ou piodermite. É mais comum em crianças em idade escolar e se manifesta com a tríade clássica de edema (especialmente periorbital), hipertensão arterial e hematúria (urina escura, "cor de Coca-Cola"), além de oligúria. O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico e achados laboratoriais. O sumário de urina revela hematúria, proteinúria leve e cilindros hemáticos. A dosagem sérica do complemento (C3) é crucial, pois geralmente está reduzida e se normaliza em 6-8 semanas. Marcadores de infecção estreptocócica recente, como ASO (antiestreptolisina O) ou anti-DNase B, também são úteis. O tratamento da GNDA é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão e o edema com restrição hidrossalina e diuréticos (como furosemida, se necessário). Antibioticoterapia com penicilina benzatina é indicada para erradicar o estreptococo, prevenindo a transmissão, mas não altera o curso da glomerulonefrite já estabelecida. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria das crianças.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para GNDA pós-estreptocócica?

O diagnóstico é clínico (edema, hipertensão, hematúria, oligúria) e laboratorial, com evidência de infecção estreptocócica recente (ASO elevado, cultura de orofaringe positiva) e hipocomplementemia (C3 baixo).

Qual o papel da penicilina benzatina no tratamento da GNDA?

A penicilina benzatina é utilizada para erradicar o Streptococcus pyogenes da orofaringe ou pele, prevenindo a disseminação da infecção para outros indivíduos, mas não altera o curso da glomerulonefrite já instalada.

Por que o complemento C3 está baixo na GNDA pós-estreptocócica?

O C3 está baixo devido à ativação da via alternativa do complemento pelos imunocomplexos depositados nos glomérulos, que consomem o C3. Os níveis de C3 geralmente se normalizam em 6-8 semanas.

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