HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020
Escolar de seis anos é levado à emergência devido à queixa de “pés e olhos inchados” há 48 horas. História patológica pregressa: piodermite há três semanas. O exame físico revela bom estado geral; edema palpebral bilateral e de membros inferiores ++/4+; ausculta cardiovascular dentro da normalidade, ausculta respiratória normal e exame do abdome sem alterações; pressão arterial sistólica entre os percentis 95 e 99. Os resultados dos exames laboratoriais são: exame de urina apresentando hematúria e proteinúria; ureia e creatinina séricas normais; anemia normocítica leve; proteínas totais e frações normais; colesterol normal; antiestreptolisina O (ASO) não reator; C3 diminuído. Em relação a esse quadro, é correto afirmar que:
GNPE pós-piodermite pode ter ASO negativo; C3 baixo + hematúria + edema + HTA → GNPE. Penicilina indicada.
A glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNPE) pode ocorrer após infecções cutâneas (piodermite), e nesses casos, o título de antiestreptolisina O (ASO) pode ser negativo. A presença de hipocomplementemia (C3 baixo), hematúria, proteinúria, edema e hipertensão é altamente sugestiva de GNPE, e a antibioticoterapia com penicilina é indicada para erradicar a cepa nefritogênica e prevenir a disseminação, mesmo que não altere o curso da doença renal.
A glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNPE) é uma doença renal inflamatória que ocorre após uma infecção por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes, seja faringite ou piodermite. É mais comum em crianças em idade escolar e se manifesta com um quadro de síndrome nefrítica, caracterizada por edema (especialmente periorbital), hipertensão arterial, hematúria (macroscópica ou microscópica) e proteinúria. A compreensão de seus marcadores e manejo é fundamental na pediatria e clínica médica. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos renais, desencadeando uma resposta inflamatória. Um achado laboratorial clássico é a hipocomplementemia transitória, com redução dos níveis de C3. É importante notar que, em casos de GNPE pós-piodermite, o título de antiestreptolisina O (ASO) pode ser negativo, pois a estreptolisina O é menos imunogênica em infecções cutâneas; nesses casos, outros anticorpos como o anti-DNase B são mais úteis. O período de latência entre a infecção e o início dos sintomas renais é tipicamente de 1 a 2 semanas para faringite e 3 a 6 semanas para piodermite. O tratamento da GNPE é principalmente de suporte, visando controlar a hipertensão (com diuréticos e anti-hipertensivos) e o edema (com restrição hídrica e salina, e diuréticos). A antibioticoterapia com penicilina (ou eritromicina em alérgicos) é indicada para erradicar a cepa estreptocócica, prevenir a disseminação da infecção e evitar novos casos, embora não altere o curso da lesão renal já estabelecida. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria das crianças, mas o acompanhamento a longo prazo é importante para identificar possíveis complicações tardias.
Os critérios incluem evidência de infecção estreptocócica recente (faringite ou piodermite), um período de latência típico, sinais clínicos de nefrite (edema, hipertensão, hematúria) e achados laboratoriais como hipocomplementemia (C3 baixo) e elevação de títulos de anticorpos estreptocócicos (ASO, anti-DNase B).
O ASO é um anticorpo contra a estreptolisina O, que é produzida principalmente em infecções de orofaringe. Em infecções cutâneas (piodermite), a produção de estreptolisina O é menor, e outros anticorpos como o anti-DNase B são mais sensíveis para detectar infecção estreptocócica recente.
A penicilina é indicada para erradicar a cepa estreptocócica nefritogênica e prevenir a disseminação da infecção para outros indivíduos. Embora não altere o curso da doença renal já estabelecida, é importante para o controle da infecção e prevenção de novos casos na comunidade.
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