SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Uma mãe levou uma menina de quatro anos de idade ao posto de saúde, com queixa de edema periorbitário há dois dias, que progrediu para abdome e membros inferiores hoje. Notou‑se diminuição do volume urinário e urina avermelhada e escura. A paciente teve um abscesso na mão esquerda há 21 dias, que foi tratado com cefalexina por cinco dias. No exame físico, apresenta‑se corada, hidratada, edema periorbitário, aumento de peso de 13% em relação a seu peso habitual, pressão arterial acima do p95 para a estatura e a idade, ausculta cardíaca e respiratória sem alterações, abdome com presença de ascite leve, membros inferiores com edema bilateralmente. Exames laboratoriais apontam hemograma normal, proteína C‑reativa de 0,5, albumina de 4,8, ureia de 64, creatinina de 0,8, urina com 78.000 hemácias, 12.000 leucócitos e proteína negativa.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto.
Criança + edema + hematúria + abscesso prévio + PA elevada → GNPE, com C3 ↓ em 95% casos.
O quadro clínico de edema, hematúria, oligúria e hipertensão em uma criança com histórico recente de infecção cutânea (abscesso) é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE). A GNPE é caracteristicamente associada à hipocomplementemia, com redução da fração C3 do complemento em cerca de 95% dos casos.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica aguda em crianças, tipicamente ocorrendo após uma infecção por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). A infecção prévia pode ser uma faringite (com latência de 1-2 semanas) ou uma infecção cutânea, como impetigo ou abscesso (com latência de 3-6 semanas), como no caso da menina de 4 anos. O quadro clínico clássico da GNPE inclui edema (frequentemente periorbitário, progredindo para membros e abdome), hematúria macroscópica ("urina cor de Coca-Cola" ou avermelhada), oligúria e hipertensão arterial. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, ativando o sistema complemento e levando à inflamação glomerular. Laboratorialmente, além da elevação de ureia e creatinina e alterações urinárias (hematúria, leucocitúria, proteinúria leve), um achado diagnóstico crucial é a hipocomplementemia, especificamente a diminuição da fração C3 do complemento, que ocorre em cerca de 95% dos casos. O C3 geralmente se normaliza em 6 a 8 semanas. A ASLO pode estar elevada, mas é menos confiável em infecções cutâneas, onde a anti-DNAse B é um marcador mais sensível. A complicação mais comum da GNPE é a hipertensão arterial e a insuficiência renal aguda, sendo a doença renal crônica uma complicação rara.
Os principais achados clínicos da GNPE incluem edema (especialmente periorbitário), hematúria (urina avermelhada/escura), oligúria, hipertensão arterial e, por vezes, dor lombar. Geralmente ocorre após uma infecção estreptocócica, como faringite ou piodermite.
A diminuição da fração C3 do complemento é um achado laboratorial característico da GNPE, ocorrendo em cerca de 95% dos casos. O C3 geralmente retorna ao normal em 6-8 semanas. Sua dosagem é crucial para o diagnóstico e para diferenciar de outras glomerulonefrites.
Não necessariamente. Embora a antiestreptolisina O (ASLO) seja um marcador de infecção estreptocócica recente, ela é mais frequentemente elevada após faringite estreptocócica. Em casos de GNPE pós-infecção cutânea (piodermite), a ASLO pode estar normal, sendo a anti-DNAse B um marcador mais sensível para infecções de pele.
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