Manejo da GNPE: Conduta na Síndrome Nefrítica Aguda

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um escolar de 9 anos de idade é levado à Unidade de Pronto Atendimento apresentando edema bipalpebral e de membros inferiores, além de urina com coloração de "chá" há 48 horas. A mãe relata que o filho apresentou diversas lesões crostosas em membros inferiores, compatíveis com impetigo, que foram tratadas apenas com medidas locais há cerca de 10 dias. Ao exame físico, o paciente encontra-se em bom estado geral, porém taquipneico (FR 28 irpm), com presença de estertores finos em bases pulmonares bilateralmente e ritmo de galope (B3) à ausculta cardíaca. A pressão arterial aferida foi de 145/95 mmHg (acima do percentil 95 para estatura e idade). Os exames laboratoriais iniciais revelam: creatinina de 1,1 mg/dL, ureia de 58 mg/dL, potássio de 5,2 mEq/L, sumário de urina com hematúria macroscópica e proteinúria de 1+, e dosagem de complemento com C3 de 22 mg/dL (Referência: 80-160) e C4 de 24 mg/dL (Referência: 15-45). Com base no quadro clínico e laboratorial apresentado, a conduta imediata mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Início imediato de pulsoterapia com metilprednisolona visando reverter o processo inflamatório glomerular.
  2. B) Realização de biópsia renal imediata devido à gravidade da hipertensão e elevação da creatinina plasmática.
  3. C) Internação hospitalar para restrição hidrossalina rigorosa e administração de furosemida por via endovenosa.
  4. D) Prescrição de Penicilina G Benzatina por via intramuscular para tratamento da glomerulonefrite e controle do edema.

Pérola Clínica

GNPE = Hematúria + Edema + HTN + C3 ↓. Conduta: Restrição hídrica + Furosemida.

Resumo-Chave

A GNPE manifesta-se como síndrome nefrítica clássica após infecção estreptocócica. O manejo foca no controle da hipervolemia e da hipertensão, complicações potencialmente fatais.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é o protótipo da síndrome nefrítica na infância, causada pela deposição de imunocomplexos após infecção por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes. Clinicamente, o paciente apresenta o início súbito de hematúria (frequentemente cor de chá ou cola), edema e hipertensão arterial. Laboratorialmente, o achado mais característico é a redução dos níveis de C3, que deve normalizar em até 8 semanas. O tratamento é eminentemente de suporte, visando o controle da sobrecarga volêmica. A restrição de sódio e líquidos, associada ao uso de diuréticos de alça como a furosemida, é a base da terapia. Casos graves podem evoluir com encefalopatia hipertensiva ou edema agudo de pulmão, exigindo monitorização hospitalar rigorosa.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para diagnóstico de GNPE?

O diagnóstico baseia-se na presença de síndrome nefrítica (hematúria, edema, hipertensão), evidência de infecção estreptocócica prévia (faringite há 1-2 semanas ou piodermite há 2-3 semanas) e queda transitória do complemento C3 com C4 normal. A biópsia renal é reservada para casos atípicos, como insuficiência renal progressiva ou hipocomplementemia persistente por mais de 8 semanas.

Por que usar furosemida na GNPE?

A fisiopatologia da GNPE envolve a retenção de sódio e água devido à inflamação glomerular, levando à expansão do volume extracelular. A furosemida é o tratamento de escolha pois promove a natriurese, auxiliando diretamente no controle do edema, da congestão volêmica (como o ritmo de galope e estertores) e da hipertensão arterial sistêmica.

O antibiótico trata a glomerulonefrite?

Não. O uso de antibióticos (como a Penicilina Benzatina) serve apenas para erradicar cepas remanescentes de estreptococos na orofaringe ou pele e prevenir a disseminação para contatos. O antibiótico não altera o curso clínico da glomerulonefrite já instalada nem previne o desenvolvimento da GNPE se administrado durante a infecção inicial.

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