PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Menina de 5 anos de idade é trazida ao pediatra devido a edema periorbital e oligúria. O exame simples de urina revela hematúria microscópica e proteinúria. A mãe relata que ela teve uma infecção de garganta 2 semanas atrás. Qual é o diagnóstico mais provável?
Faringite prévia (1-3 sem) + Edema + Hematúria + Oligúria + C3 ↓ = GNPE.
A GNPE é a principal causa de síndrome nefrítica em crianças, ocorrendo após infecção de orofaringe ou pele por cepas nefritogênicas do S. pyogenes.
A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) é uma doença imunomediada causada pela deposição de imunocomplexos nos glomérulos após infecção por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes. A tríade clássica consiste em edema, hipertensão e hematúria (frequentemente descrita como cor de 'chá' ou 'cola'). O prognóstico na infância é excelente, com a maioria dos pacientes apresentando resolução completa do quadro clínico em poucas semanas. A hematúria microscópica pode persistir por até 1 a 2 anos. Indicações de biópsia renal incluem insuficiência renal progressiva, ausência de evidência de infecção estreptocócica, complemento normal ou persistência de hipocomplementemia além de 8 semanas.
O período de latência entre a infecção estreptocócica e o início dos sintomas renais varia conforme o sítio da infecção inicial: geralmente é de 1 a 3 semanas após uma faringoamigdalite e de 2 a 6 semanas após uma piodermite (impetigo). Esse intervalo é fundamental para o diagnóstico diferencial com outras glomerulopatias.
Na fase aguda da GNPE, observa-se classicamente uma queda nos níveis de complemento sérico, especificamente da fração C3 e do CH50, enquanto o C4 costuma estar normal (via alternativa). A persistência do C3 baixo por mais de 8 semanas deve levantar a suspeita de outras patologias, como glomerulonefrite membranoproliferativa ou lúpus.
O tratamento é eminentemente de suporte, focando no manejo das complicações da hipervolemia. Isso inclui restrição hídrica e dietética (hipossódica), uso de diuréticos de alça (furosemida) e anti-hipertensivos se necessário. A antibioticoterapia é indicada para erradicar o estreptococo da orofaringe/pele e evitar a disseminação da cepa, mas não altera o curso da doença renal.
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