GNPE Pediátrica: Manejo da Sobrecarga Volêmica Aguda

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Menino de 6 anos de idade, previamente hígido, apresenta edema periorbital, oligúria e urina avermelhada há 2 dias. Levado por sua mãe à UPA com quadro de tosse, frequência respiratória de 40 incursões por minuto, tiragem intercostal e subcostal e sibilância na ausculta pulmonar. Pressão arterial acima do P95 para idade, saturação de 92% em ar ambiente. Em relação ao quadro descrito, a conduta imediata mais adequada é

Alternativas

  1. A) nebulização de ataque com fenoterol (3 nebulizações com intervalo de 20 minutos entre elas) e prednisona via oral, 2 mg/kg.
  2. B) reposição de albumina humana endovenosa seguida de diurético de alça 1-2 mg/kg endovenoso.
  3. C) oxigenioterapia com máscara de Venturi a 50% e iniciar antibioticoterapia com ceftriaxona na primeira hora.
  4. D) pulsoterapia com metilprednisolona 30 mg/kg/dia, manter por 3 dias consecutivos.
  5. E) oxigenioterapia com ventilação não invasiva e furosemida 2 mg/kg endovenosa.

Pérola Clínica

GNPE com sobrecarga volêmica grave (edema pulmonar, HAS) → VNI + Furosemida IV para estabilização.

Resumo-Chave

O quadro clínico sugere Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE) com complicações graves de sobrecarga volêmica, como edema pulmonar agudo e hipertensão arterial. A conduta imediata visa estabilizar o paciente, tratando a hipoxemia e a sobrecarga volêmica com oxigenioterapia (VNI) e diuréticos de alça (furosemida IV).

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE) é uma doença renal inflamatória que afeta principalmente crianças em idade escolar, geralmente após uma infecção de vias aéreas superiores ou cutânea por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos, levando a uma resposta inflamatória e consequente dano glomerular, resultando em diminuição da filtração e retenção de sódio e água. O quadro clínico clássico da GNPE inclui edema (frequentemente periorbital), oligúria, hipertensão arterial e hematúria (urina avermelhada ou "cor de Coca-Cola"). As complicações mais graves decorrem da sobrecarga volêmica, como a hipertensão arterial severa, encefalopatia hipertensiva, insuficiência cardíaca congestiva e edema pulmonar agudo. O desconforto respiratório, taquipneia e sibilância, como descrito no caso, são sinais de edema pulmonar, uma emergência médica. A conduta imediata para um paciente com GNPE e sobrecarga volêmica grave com edema pulmonar é a estabilização. Isso envolve oxigenioterapia, que pode ser iniciada com máscara de Venturi e progredir para ventilação não invasiva (VNI) se o desconforto respiratório persistir ou a saturação estiver baixa, para otimizar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório. A administração de diuréticos de alça, como a furosemida intravenosa (1-2 mg/kg), é fundamental para promover a diurese, reduzir a sobrecarga volêmica, controlar a hipertensão e aliviar o edema pulmonar. O tratamento da infecção estreptocócica subjacente com antibióticos (penicilina) é importante, mas não altera o curso da glomerulonefrite já instalada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE) em crianças?

A GNPE tipicamente se manifesta com edema (geralmente periorbital), oligúria, hipertensão arterial e urina escura ou avermelhada (hematúria macroscópica), que ocorre 1 a 3 semanas após uma infecção estreptocócica de orofaringe ou pele.

Por que a sobrecarga volêmica é uma complicação comum na GNPE e como ela se manifesta?

A sobrecarga volêmica ocorre devido à diminuição da filtração glomerular e retenção de sódio e água pelos rins inflamados. Isso pode levar a edema generalizado, hipertensão arterial e, em casos graves, edema pulmonar agudo e insuficiência cardíaca congestiva, manifestados por desconforto respiratório e sibilância.

Qual a conduta inicial para um paciente pediátrico com GNPE e edema pulmonar agudo?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica e respiratória. Isso inclui oxigenioterapia, preferencialmente com ventilação não invasiva (VNI) para melhorar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório, e administração de diuréticos de alça como a furosemida intravenosa para promover a diurese e reduzir a sobrecarga volêmica e a pressão arterial.

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