Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica: Diagnóstico em Crianças

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Maria, 7 anos, previamente hígida, foi trazida ao consultório pelos pais com queixa de inchaço progressivo no rosto e nas pernas há cerca de 4 dias. Além disso, notaram que a urina de Maria estava visivelmente mais avermelhada e que ela estava urinando menos frequentemente. Ao aprofundar a investigação, os pais lembraram de quadro autolimitado de dor de garganta e febre baixa há cerca de duas semanas. Ao exame físico observa-se edema periorbitário e nas extremidades inferiores, FC: 80 bpm, FR: 18 ipm, PA: 140 / 96 (125) mmHg. Diante da situação hipotética acima, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável.

Alternativas

  1. A) Síndrome nefrótica.
  2. B) Nefropatia por IgA.
  3. C) Glomerulonefrite pós-estreptocócica.
  4. D) Doença renal policística.
  5. E) Nefropatia lúpica

Pérola Clínica

Criança com edema, hematúria, oligúria e hipertensão + infecção estreptocócica prévia (2-3 semanas) → Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica.

Resumo-Chave

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE) é a causa mais comum de síndrome nefrítica em crianças, caracterizada pela tríade de edema, hipertensão e hematúria, geralmente precedida por uma infecção estreptocócica (faringite ou piodermite) em 1 a 3 semanas.

Contexto Educacional

A Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE) é uma das principais causas de síndrome nefrítica em crianças, sendo crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecerem seu quadro clínico. A doença é uma complicação não supurativa de infecções por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes, manifestando-se tipicamente 1 a 3 semanas após faringite ou 3 a 6 semanas após piodermite. O quadro clínico clássico da GNPE é a síndrome nefrítica, caracterizada por edema (geralmente periorbitário e em membros inferiores), hematúria macroscópica (urina "cor de Coca-Cola" ou avermelhada), oligúria e hipertensão arterial. A hipertensão é um achado importante e pode ser grave, exigindo intervenção. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, levando a uma resposta inflamatória que danifica a barreira de filtração glomerular. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e exame físico, e pode ser apoiado por exames laboratoriais como a dosagem de anticorpos anti-estreptocócicos (ASLO, anti-DNase B), que estarão elevados, e a complementemia, que tipicamente mostra redução transitória do C3. O tratamento é de suporte, visando controlar a hipertensão, o edema e a oligúria, com diuréticos e anti-hipertensivos, se necessário. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria dos casos pediátricos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica?

Os principais sinais incluem edema (especialmente periorbitário e em membros inferiores), hematúria macroscópica (urina avermelhada ou cor de Coca-Cola), oligúria e hipertensão arterial. Pode haver também mal-estar e febre baixa.

Qual o período de latência entre a infecção e o início da GNPE?

A GNPE tipicamente se manifesta 1 a 3 semanas após uma infecção de orofaringe por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) ou 3 a 6 semanas após uma infecção cutânea (piodermite).

Como diferenciar a GNPE de outras causas de hematúria e edema em crianças?

A história de infecção estreptocócica prévia, o período de latência, a presença de hipertensão e oligúria, e exames laboratoriais como níveis baixos de C3 e ASLO elevado, ajudam a diferenciar a GNPE de condições como nefropatia por IgA (que tem hematúria mais precoce) ou síndrome nefrótica (que cursa com proteinúria maciça e hipoalbuminemia).

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