GNPE Pediátrica: Manejo da Hipercalemia e Sobrecarga

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, 4 anos de idade, há 4 semanas começou a apresentar pequenas lesões de pele em face, que posteriormente progrediram para outras regiões do corpo. Mãe notou que a criança respira com dificuldade e está com o rosto inchado há dois dias. Trazido hoje ao Pronto-Socorro, pois está mais sonolento e sem diurese há 24 horas. Na triagem, apresenta os seguintes dados vitais: FC: 65 bpm, FR: 45 irpm e PA: 140/90 mmHg, Sat O₂: 94% em ar ambiente. Encaminhado à sala de emergência, onde se notou edema de face e ausculta pulmonar com estertores crepitantes em ambas as bases, sem outras alterações significativas. Seguem abaixo as imagens das lesões de pele do paciente e do ritmo cardíaco identificado. Qual das alternativas abaixo apresenta as medidas necessárias para estabilização inicial do paciente?

Alternativas

  1. A) Oxacilina, clindamicina e soro fisiológico 20 mL/kg.
  2. B) Ceftriaxona, bicarbonato de sódio e soro fisiológico 20 mL/kg.
  3. C) Ventilação com pressão positiva, seguida de compressões torácicas e atropina.
  4. D) Gluconato de cálcio, diurético de alça e restrição hídrica.

Pérola Clínica

GNPE com anúria, edema pulmonar e bradicardia → Gluconato de cálcio, diurético de alça, restrição hídrica.

Resumo-Chave

O quadro sugere Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE) com insuficiência renal aguda grave (anúria), sobrecarga volêmica (edema, estertores, hipertensão) e hipercalemia (bradicardia). O tratamento inicial visa estabilizar a hipercalemia e a sobrecarga volêmica.

Contexto Educacional

O quadro clínico de um pré-escolar com lesões de pele prévias (sugerindo infecção estreptocócica), edema facial, dificuldade respiratória, hipertensão, oligúria/anúria e estertores pulmonares é altamente sugestivo de Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica Aguda (GNPE) complicada por insuficiência renal aguda e sobrecarga volêmica. A bradicardia e a sonolência podem indicar hipercalemia grave e/ou encefalopatia hipertensiva. A estabilização inicial deve focar nas ameaças à vida: hipercalemia e sobrecarga volêmica com edema agudo de pulmão. O gluconato de cálcio é a primeira medida para proteger o miocárdio dos efeitos da hipercalemia, sem reduzir o potássio sérico. Diuréticos de alça, como a furosemida, são essenciais para promover a diurese e reduzir a sobrecarga volêmica e o edema pulmonar. A restrição hídrica é fundamental para evitar a piora da sobrecarga. É crucial evitar a administração de fluidos intravenosos em pacientes com sobrecarga volêmica evidente, pois isso agravaria o quadro. Outras medidas incluem o controle da pressão arterial e o tratamento da causa subjacente (antibióticos para a infecção estreptocócica, se ainda presente).

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de sobrecarga volêmica em crianças com insuficiência renal aguda?

Sinais de sobrecarga volêmica incluem edema (facial, periférico), hipertensão arterial, taquipneia, estertores crepitantes na ausculta pulmonar (indicando edema pulmonar) e oligúria/anúria.

Por que o gluconato de cálcio é usado na hipercalemia grave?

O gluconato de cálcio não reduz os níveis séricos de potássio, mas estabiliza o miocárdio, protegendo-o dos efeitos arritmogênicos da hipercalemia, sendo a primeira medida em casos de alterações eletrocardiográficas.

Qual a importância da restrição hídrica e diuréticos de alça na GNPE com sobrecarga?

A restrição hídrica e o uso de diuréticos de alça (como furosemida) são cruciais para manejar a sobrecarga volêmica, reduzir o edema pulmonar e controlar a hipertensão arterial, prevenindo complicações cardiovasculares e respiratórias.

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