CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021
Menina, 8 anos de idade, chega à Emergência de um hospital geral com história de “inchaço nos olhos” há três dias, apresentando febre, mal-estar e diminuição do volume urinário há um dia. Refere episódio de faringoamigdalite há 20 dias, tendo usado antibiótico por via oral. No momento, Peso: 25kg; T.: 36.9ºC, PA: 110x78mmHg, FC: 110bpm, FR: 28ipm. Está em regular estado geral, hidratada. Há edema periorbitário bilateral, sem outros achados anormais ao exame segmentar.Hemograma sem alterações. Ureia: 52mg/dL, creatinina: 0,8mg/dl, sódio: 138mEq/L, potássio: 5,2mEq/L, cloro: 106mEq/L. Sumário de urina: pH: 5, densidade:1020, proteinúria ++, hematúria ++, leucócitos: 6 a 7 por campo, numerosas hemácias. Foram solicitados C₃, C₄, CH50, ASLO e cultura de orofaringe.Indique o medicamento principal a ser prescrito, nesse momento.
GNDA (edema, oligúria, HAS) → Furosemida para sobrecarga hídrica e controle pressórico.
A paciente apresenta sinais de sobrecarga hídrica (edema, oligúria) e hipertensão, característicos da glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda. A furosemida é o diurético de escolha para reduzir o volume extracelular, aliviar o edema e auxiliar no controle da pressão arterial.
A glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda (GNDA) é uma das causas mais comuns de síndrome nefrítica aguda em crianças, geralmente ocorrendo 1 a 3 semanas após uma infecção de orofaringe ou pele por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes. É crucial para residentes reconhecerem essa condição devido ao seu potencial de complicações graves se não for manejada adequadamente. A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos que se depositam nos glomérulos, ativando o sistema complemento e causando inflamação. Isso leva a lesão glomerular, resultando em diminuição da filtração glomerular, retenção de sódio e água, hipertensão arterial, edema e oligúria. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com achados como hematúria, proteinúria, hipocomplementemia (C3 baixo) e elevação de títulos de ASLO. O tratamento é principalmente de suporte, visando controlar as complicações. A furosemida é a medicação principal para manejar a sobrecarga hídrica, o edema e a hipertensão. Restrição de sódio e líquidos é fundamental. Antibióticos podem ser usados para erradicar a infecção estreptocócica residual, mas não alteram o curso da glomerulonefrite. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa na maioria das crianças.
Os critérios incluem história de infecção estreptocócica prévia (faringite ou piodermite), período de latência, início súbito de edema, hipertensão, oligúria, hematúria macroscópica e achados laboratoriais como C3 baixo e ASLO elevado.
A furosemida é um diurético de alça potente que promove a excreção de sódio e água, sendo eficaz para reduzir o volume extracelular, aliviar o edema, corrigir a oligúria e auxiliar no controle da hipertensão arterial, que são manifestações comuns da GNDA.
Outros anti-hipertensivos, como bloqueadores dos canais de cálcio (ex: nifedipina) ou inibidores da ECA, seriam indicados se a hipertensão persistir ou for grave, mesmo após a otimização da diurese com furosemida, ou em casos de encefalopatia hipertensiva.
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