Glomerulonefrite Aguda: Manejo de Edema e Hipertensão

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019

Enunciado

Maria Júlia, 11 anos, apresenta hematúria macroscópica e oligúria há 1 dia. Ao exame físico tem edema bipalpebral e de membros inferiores (2++/4+), FC: 156 PA: 140 x 90, sem outros sintomas. Estão indicadas tais condutas para o caso, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Dieta hipossódica.
  2. B) Restrição hídrica.
  3. C) Diurético de alça.
  4. D) Albumina.
  5. E) Todas as alternativas estão corretas.

Pérola Clínica

Glomerulonefrite aguda (hematúria, oligúria, edema, HAS) → Restrição hídrica/sódica, diuréticos. Albumina NÃO é rotina.

Resumo-Chave

O quadro de Maria Júlia é compatível com síndrome nefrítica aguda, provavelmente glomerulonefrite pós-estreptocócica. O manejo inicial foca no controle da sobrecarga volêmica e hipertensão com restrição hídrica e sódica, além de diuréticos de alça. Albumina não é indicada, pois a hipoalbuminemia não é a causa primária do edema e pode agravar a sobrecarga volêmica.

Contexto Educacional

A glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda (GNPE) é a causa mais comum de síndrome nefrítica em crianças, tipicamente ocorrendo após uma infecção estreptocócica. O quadro clínico clássico inclui hematúria macroscópica, oligúria, edema (especialmente periorbital e de membros inferiores) e hipertensão arterial. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos, levando à inflamação e redução da filtração glomerular, resultando em retenção de sódio e água. O manejo da GNPE é predominantemente de suporte, visando controlar a sobrecarga volêmica e a hipertensão. As condutas essenciais incluem restrição hídrica e dietética de sódio para mitigar o edema e a hipertensão. Diuréticos de alça, como a furosemida, são frequentemente utilizados para promover a diurese e aliviar a congestão. Em casos de hipertensão grave, anti-hipertensivos podem ser necessários. O tratamento antibiótico da infecção estreptocócica subjacente é importante para prevenir a disseminação, mas não altera o curso da glomerulonefrite já estabelecida. É um erro comum, e potencialmente perigoso, administrar albumina em pacientes com síndrome nefrítica e edema. Diferente da síndrome nefrótica, onde a hipoalbuminemia é a causa primária do edema, na síndrome nefrítica o edema é resultado da retenção hidrossalina devido à disfunção glomerular. A administração de albumina nesses casos pode exacerbar a sobrecarga volêmica e precipitar complicações como edema agudo de pulmão. Residentes devem estar atentos a essas distinções para garantir um tratamento seguro e eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome nefrítica aguda?

A síndrome nefrítica aguda é caracterizada pela tríade de hematúria (frequentemente macroscópica), edema (periorbital e de membros inferiores) e hipertensão arterial. Outros sintomas incluem oligúria, fadiga e, em alguns casos, cefaleia ou dor lombar. A etiologia mais comum em crianças é a glomerulonefrite pós-estreptocócica.

Por que a restrição hídrica e a dieta hipossódica são importantes na glomerulonefrite aguda?

A restrição hídrica e a dieta hipossódica são cruciais porque a glomerulonefrite aguda cursa com retenção de sódio e água, levando a sobrecarga volêmica, edema e hipertensão. Limitar a ingestão de líquidos e sódio ajuda a controlar esses sintomas e a reduzir a demanda sobre os rins comprometidos, prevenindo complicações como edema agudo de pulmão.

Quando o uso de diuréticos de alça é indicado na síndrome nefrítica?

Diuréticos de alça, como a furosemida, são indicados na síndrome nefrítica para tratar a sobrecarga volêmica significativa, o edema refratário e a hipertensão arterial que não responde apenas à restrição. Eles promovem a excreção de sódio e água, aliviando a congestão e ajudando a controlar a pressão arterial.

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